Dai - nos, Senhor, um coração novo, derrama sobre nós um Espírito novo.
Ao começo do nosso Encontro com a Palavra: Dai - nos, Senhor, um coração novo, um coração de carne, sensível à dor e ao sofrimento dos pobres, aberto aos gozos e alegrias de nosso mundo, solidário com todos os povos da terra.
Dai - nos, Senhor, um olhar novo, atento aos acontecimentos da vida onde Tu te revelas cada dia aos pequenos e aos simples.
Dai-nos, teu Espírito, Senhor, para compreendermos a tua Palavra, guarda-la no coração como Maria e leva-la à prática para que ilumine os homens e mulheres de nosso tempo na noite dos conflitos e das guerras e a todos lhes chegue a tua Paz.
Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão que contigo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
“É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida na rocha da Palavra de Deus” (Doc. Aparecida 247)
terça-feira, 7 de junho de 2011
quarta-feira, 18 de maio de 2011
FERMENTO NO BOLO! BÍBLIA NA VIDA!
Continuamos cavando e aprofundando a Bíblia: o nosso livro de cabeceira! Quatro imagens vão nos servir de guias para entender melhor a Palavra de Deus. Bíblia: Álbum de família, cidade, "raios-X" e fermento no bolo.
1. BÍBLIA: ÁLBUM DE FAMÍLIA, ÁLBUM DO POVO.
A Bíblia parece um álbum de fotografias guardado em caixas, sem data, sem ordem, sem assinatura..., uma desordem organizada!
Uma coisa interessante! Até as crianças se divertem folheando esse álbum. Aquela "desordem organizada", aparentemente como uma colcha de retalhos, nos revela um rosto amigo (Dt 34,10), o rosto de Deus que caminha conosco.
E assim, olhando tudo isso, muitas gerações de crianças e jovens, de famílias e comunidades aprendem e se alegram ao descobrirem: quem são e de onde vieram e, coisa ainda mais linda, para onde vão? Para isso o álbum de fotografias é muito importante. Todos sabem reconhecer acontecimentos familiares, onde a gente tomou parte ou ainda participa.
Na leitura da Bíblia descobrimos a nossa identidade, as nossas raízes culturas-sociais-religiosas e a nossa missão, como povo e como pessoas. E em tudo isso, nos sentimos da mesma família de Abraão e Sara, de Moisés e Mirian, dos profetas e profetisas... Somos um povo a caminho, com uma missão a cumprir e podemos cantar com força: "Moisés hoje é a gente quando enfrenta a opressão".
Por tudo isso, a Bíblia é muito importante. Apresenta para nós, no meio de situações difíceis e conflitivas, mil fotografias do Deus discreto e fiel, misericordioso e libertador, Javé (Ex 34,6-7).
2. A CIDADE DA BÍBLIA
Como caminhar pela cidade da Bíblia sem nos perder? Conhecermos essa cidade vale a pena! Podemos conhecer como turista de passagem ou como morador que trabalha e se preocupa pela sua cidade e fica bem a vontade.
Quando visitamos uma cidade pela primeira vez ter um mapa ou um guia ajuda bastante. É mais fácil saber onde fica o Centro Histórico, o Pelô, o Mercado Modelo, onde se podem pegar os ônibus, como chegar e voltar. Nesse passeio podemos ver casas antigas que ficam ao lado de prédios modernos e ninguém confunde as duas coisas. Também na Bíblia encontramos textos bem antigos em arcabouços novos. Não podemos confundi-los!
Conhecer a história dessa cidade. Os monumentos históricos nos falam muito mais quando conhecemos as pessoas que participaram dessa história. Quando sabemos que pessoas foram fundadores (as), por que surgiu, os momentos marcantes da vida do povo, sua organização, suas lutas e resistências, seu projeto de vida e cidadania.
Descobrir nessa Cidade o Rosto do Deus da Vida. Não é fácil perceber Deus atuando na vida da gente. Como Deus estaria no meio de nós, nesses ônibus superlotados? Ou naquele corre-corre do dia-a-dia? Será que Deus está nas nossas cidades? Custa crer! Ao mesmo tempo, na cidade, tudo tem um sabor diferente quando encontramos algum rosto familiar.
Algo assim passa com a Bíblia. Podemos senti-la como coisa do passado, como pouco prática para uma "cidade" moderna e pensar que não se encontraria a vontade. Mas a Bíblia, mesmo tendo muito anos de história, é diferente. É como o vinho bom. Mais tempo passa, melhor é! Quem entende que o diga!
Talvez tenhamos que aguçar o nosso olhar para ver onde e como Deus está presente hoje. Para esse novo olhar a Bíblia nos oferece muitas dicas, aliás, "é colírio para os olhos", como comentava Mário de Colina Azul, ao terminar um curso sobre Apocalipse.
3. A BÍBLIA: "RAIOS-X". A BÍBLIA NOS LÊ!
Nós lemos a Bíblia e, ao mesmo tempo, a Bíblia nos lê! A Bíblia não somente nos oferece "fotografias" da nossa realidade, mas também nos dá uma "radiografia" do nosso mundo. Ela é critério de discernimento: mostra-nos o rumo a seguir, o jeito de viver e esperar. Ela denuncia os medos e as injustiças e anuncia boas notícias para os pobres e pequenos. Numa palavra, Ela é uma lamparina na caminhada!
A Bíblia, porém, deve estar ligada à Vida. Sozinha, isolada da vida e dos problemas não dá. A rede precisa de dois pregos para se sustentar: o prego da Vida e o prego da Bíblia. E a comunidade balançando no meio dessa dupla tensão: Vida-Bíblia.
4. FERMENTO NO BOLO! BÍBLIA NA VIDA!
Na travessia tudo se clareia; descobrimos o sentido da Bíblia. A presença discreta e terna de Deus ilumina o túnel dos conflitos, traz alegria e esperança. É uma lamparina na noite. É sal na feijoada.
Na vida há de tudo: pessoas com pressão alta de Bíblia e pressão baixa de Vida. Outras com pressão baixa de Bíblia e pressão alta de Vida. Cada pessoa deve ver qual é a dose exata! A Bíblia, porém, é e deve ser fermento no bolo da Vida.
Quero contar uma história que aconteceu em Pau da Lima, com um amigo da gente.
Era um sábado pela tarde. O curso de Bíblia estava para começar. Pe. João estava preparando um bolo de cenoura. Arrumou tudo direitinho. Leu a receita, misturou os ingredientes e colocou a fôrma no forno.
F
iquei sonhando a tarde toda com aquele bolo! Acabei o curso bíblico e fui visitar João. O bolo devia estar no ponto! Descendo a encosta chegava um cheirinho gostoso de fazer água na boca. E ai saiu aquele bolo! Cheirinho bom, danado de bom! Os olhos não aguentavam mais. "Favor, traga uma faca!" E ai uma surpresa: o bolo estava..., duro que só! Não dava nem para cortar!
"Aconteceu o quê, João?", perguntei. "Não sei, não!", disse João. "Coloquei todos os ingredientes como estava na receita. Mas parece que não deu certo". "E você colocou também fermento?", quis saber. "Fermento? Bom, fermento, na verdade... não. O fermento acabou!" concluiu ele.
As crianças chegaram como outras vezes..., e o bolo ficou e ficou por dias a fio. E ficou, também na memória, como testemunho eterno: bolo sem fermento vira cimento!
No duro da Vida, a Bíblia traz luz, força e energia. Experimente um minuto todo dia!
1. BÍBLIA: ÁLBUM DE FAMÍLIA, ÁLBUM DO POVO.
A Bíblia parece um álbum de fotografias guardado em caixas, sem data, sem ordem, sem assinatura..., uma desordem organizada!
Uma coisa interessante! Até as crianças se divertem folheando esse álbum. Aquela "desordem organizada", aparentemente como uma colcha de retalhos, nos revela um rosto amigo (Dt 34,10), o rosto de Deus que caminha conosco.
E assim, olhando tudo isso, muitas gerações de crianças e jovens, de famílias e comunidades aprendem e se alegram ao descobrirem: quem são e de onde vieram e, coisa ainda mais linda, para onde vão? Para isso o álbum de fotografias é muito importante. Todos sabem reconhecer acontecimentos familiares, onde a gente tomou parte ou ainda participa.
Na leitura da Bíblia descobrimos a nossa identidade, as nossas raízes culturas-sociais-religiosas e a nossa missão, como povo e como pessoas. E em tudo isso, nos sentimos da mesma família de Abraão e Sara, de Moisés e Mirian, dos profetas e profetisas... Somos um povo a caminho, com uma missão a cumprir e podemos cantar com força: "Moisés hoje é a gente quando enfrenta a opressão".
Por tudo isso, a Bíblia é muito importante. Apresenta para nós, no meio de situações difíceis e conflitivas, mil fotografias do Deus discreto e fiel, misericordioso e libertador, Javé (Ex 34,6-7).
2. A CIDADE DA BÍBLIA
Como caminhar pela cidade da Bíblia sem nos perder? Conhecermos essa cidade vale a pena! Podemos conhecer como turista de passagem ou como morador que trabalha e se preocupa pela sua cidade e fica bem a vontade.
Quando visitamos uma cidade pela primeira vez ter um mapa ou um guia ajuda bastante. É mais fácil saber onde fica o Centro Histórico, o Pelô, o Mercado Modelo, onde se podem pegar os ônibus, como chegar e voltar. Nesse passeio podemos ver casas antigas que ficam ao lado de prédios modernos e ninguém confunde as duas coisas. Também na Bíblia encontramos textos bem antigos em arcabouços novos. Não podemos confundi-los!
Conhecer a história dessa cidade. Os monumentos históricos nos falam muito mais quando conhecemos as pessoas que participaram dessa história. Quando sabemos que pessoas foram fundadores (as), por que surgiu, os momentos marcantes da vida do povo, sua organização, suas lutas e resistências, seu projeto de vida e cidadania.
Descobrir nessa Cidade o Rosto do Deus da Vida. Não é fácil perceber Deus atuando na vida da gente. Como Deus estaria no meio de nós, nesses ônibus superlotados? Ou naquele corre-corre do dia-a-dia? Será que Deus está nas nossas cidades? Custa crer! Ao mesmo tempo, na cidade, tudo tem um sabor diferente quando encontramos algum rosto familiar.
Algo assim passa com a Bíblia. Podemos senti-la como coisa do passado, como pouco prática para uma "cidade" moderna e pensar que não se encontraria a vontade. Mas a Bíblia, mesmo tendo muito anos de história, é diferente. É como o vinho bom. Mais tempo passa, melhor é! Quem entende que o diga!
Talvez tenhamos que aguçar o nosso olhar para ver onde e como Deus está presente hoje. Para esse novo olhar a Bíblia nos oferece muitas dicas, aliás, "é colírio para os olhos", como comentava Mário de Colina Azul, ao terminar um curso sobre Apocalipse.
3. A BÍBLIA: "RAIOS-X". A BÍBLIA NOS LÊ!
Nós lemos a Bíblia e, ao mesmo tempo, a Bíblia nos lê! A Bíblia não somente nos oferece "fotografias" da nossa realidade, mas também nos dá uma "radiografia" do nosso mundo. Ela é critério de discernimento: mostra-nos o rumo a seguir, o jeito de viver e esperar. Ela denuncia os medos e as injustiças e anuncia boas notícias para os pobres e pequenos. Numa palavra, Ela é uma lamparina na caminhada!
A Bíblia, porém, deve estar ligada à Vida. Sozinha, isolada da vida e dos problemas não dá. A rede precisa de dois pregos para se sustentar: o prego da Vida e o prego da Bíblia. E a comunidade balançando no meio dessa dupla tensão: Vida-Bíblia.
4. FERMENTO NO BOLO! BÍBLIA NA VIDA!
Na travessia tudo se clareia; descobrimos o sentido da Bíblia. A presença discreta e terna de Deus ilumina o túnel dos conflitos, traz alegria e esperança. É uma lamparina na noite. É sal na feijoada.
Na vida há de tudo: pessoas com pressão alta de Bíblia e pressão baixa de Vida. Outras com pressão baixa de Bíblia e pressão alta de Vida. Cada pessoa deve ver qual é a dose exata! A Bíblia, porém, é e deve ser fermento no bolo da Vida.
Quero contar uma história que aconteceu em Pau da Lima, com um amigo da gente.
Era um sábado pela tarde. O curso de Bíblia estava para começar. Pe. João estava preparando um bolo de cenoura. Arrumou tudo direitinho. Leu a receita, misturou os ingredientes e colocou a fôrma no forno.
F
iquei sonhando a tarde toda com aquele bolo! Acabei o curso bíblico e fui visitar João. O bolo devia estar no ponto! Descendo a encosta chegava um cheirinho gostoso de fazer água na boca. E ai saiu aquele bolo! Cheirinho bom, danado de bom! Os olhos não aguentavam mais. "Favor, traga uma faca!" E ai uma surpresa: o bolo estava..., duro que só! Não dava nem para cortar!
"Aconteceu o quê, João?", perguntei. "Não sei, não!", disse João. "Coloquei todos os ingredientes como estava na receita. Mas parece que não deu certo". "E você colocou também fermento?", quis saber. "Fermento? Bom, fermento, na verdade... não. O fermento acabou!" concluiu ele.
As crianças chegaram como outras vezes..., e o bolo ficou e ficou por dias a fio. E ficou, também na memória, como testemunho eterno: bolo sem fermento vira cimento!
No duro da Vida, a Bíblia traz luz, força e energia. Experimente um minuto todo dia!
CEBI
Casa simples é o CEBI
Onde a gente vai moldando a vida,
E enxergando Deus no meio da História.
Graça amorosa,
Mergulho fundo.
É como areia movediça...
Que faz dos simples um agente de transformação.
Um mergulho tão fundo,
Que faz a gente se sentir gente
Que de repente clareia a vista
E ao mesmo tempo aquece
E se espalha como fogo no capim seco.
Curtição saborosa,
Paixão onde Deus, o pobre,
e a Palavra são parceiros do amor.
Convivência que não deixa a gente sentir frio,
Novidade ecumênica, aberta,
Beleza boa que não se pode explicar.
Ir Agostinha,
Por Trás da Palavra,
n.73 (1992) p. 22-23.
Onde a gente vai moldando a vida,
E enxergando Deus no meio da História.
Graça amorosa,
Mergulho fundo.
É como areia movediça...
Que faz dos simples um agente de transformação.
Um mergulho tão fundo,
Que faz a gente se sentir gente
Que de repente clareia a vista
E ao mesmo tempo aquece
E se espalha como fogo no capim seco.
Curtição saborosa,
Paixão onde Deus, o pobre,
e a Palavra são parceiros do amor.
Convivência que não deixa a gente sentir frio,
Novidade ecumênica, aberta,
Beleza boa que não se pode explicar.
Ir Agostinha,
Por Trás da Palavra,
n.73 (1992) p. 22-23.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
BÍBLIA E COMPROMISSO NO MUNDO
Ter, 21 de Dezembro de 2010 12:45 | Escrito por Carlos Ayala Ramírez*
Recentemente, tivemos acesso à exortação apostólica "Verbum Domini", de Bento XVI sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja (11/11/2010), na qual recolhe as conclusões da assembleia especial da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.
O documento - que consta de uma introdução, três partes e uma conclusão - tem como fio condutor o seguinte postulado: "O Cristianismo não é uma religião do livro: o Cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo". Compreender a palavra bíblica não como uma palavra distante, abstrata e alheia ao curso da história, mas como uma palavra encarnada que anima, inspira e interpela; coloca novamente a necessidade de unificar a fé com a vida.
A terceira parte do documento, intitulada "verbum mundo", sublinha o dever dos cristãos de anunciar a Palavra de Deus no mundo em que vivem. Recorda-se que esses (cristãos/cristãs) estão chamados a servir ao verbo de Deus nos irmãos mais sofridos. Concretamente, são assinalados nove aspectos desse serviço, dos quais enunciamos e resumimos cinco, que consideramos fundamentais para a vida de nossos povos:
Primeiro: o compromisso com a justiça na sociedade. Reconhece-se que a Palavra de Deus impulsiona os seres humanos a estabelecer relações animadas pela retidão e pela justiça; denuncia sem ambiguidades as injustiças; promove a solidariedade e a igualdade; nos leva ao compromisso a favor dos que sofrem e são vítimas do egoísmo, e reforça a afirmação dos direitos humanos de cada pessoa (nos. 100, 101).
Segundo: a reconciliação e a paz entre os povos. Propõe-se a necessidade de redescobrir a Palavra de Deus como fonte de reconciliação e paz; por isso, é inconcebível justificar intolerância ou guerras em nome de Deus ou da religião. Esta, ao contrário, deveria impulsionar um uso correto da razão e promover valores éticos que edificam a convivência civil (n. 102).
Terceiro: a caridade efetiva. O compromisso com a justiça, a reconciliação e a paz tem sua raiz última e seu cumprimento no amor que Cristo nos revelou; todos os crentes tem que compreender a necessidade de traduzir em gestos de amor a Palavra escutada, porque somente assim torna-se crível o anúncio do Evangelho. O amor constitui-se em uma espécie de critério de verdade sobre a seriedade com a qual tomamos a palavra de Deus. Por isso, afirma-se no documento que "aquele que acredita ter entendido as Escrituras, ou alguma parte delas, e com essa compreensão não edifica esse duplo amor de Deus e do próximo, ainda não as entendeu" (n. 103).
Quarto: evangelização e emigrantes. A missão evangelizadora da Igreja deve prestar atenção ao complexo fenômeno da emigração; os emigrantes têm o direito de escutar o kerigma que lhes deve ser proposto, mas nunca imposto. Como cristãos, necessitam de assistência pastoral adequada para reforçar sua fé e para que eles mesmos sejam portadores do anúncio evangélico. Os movimentos migratórios devem ser considerados uma ocasião para descobrir novas modalidades de presença e anúncio, e para que se proporcione uma adequada acolhida e animação aos que buscam refúgio, melhores condições de vida, saúde e trabalho (n. 105).
Quinto: anúncio da Palavra aos que sofrem. O ápice da proximidade de Deus com o sofrimento humano pode ser completado no próprio Jesus, que é a Palavra encarnada. Sofreu conosco e morreu. Com sua paixão e morte assumiu e transformou nossa debilidade até o fim. A proximidade de Jesus com os que sofrem não se interrompeu; mas prolonga-se no tempo pela ação do Espírito Santo na missão da Igreja, na Palavra e nos Sacramentos, nos quais homens e mulheres de boa vontade, nas atividades de assistência que as comunidades promovem com caridade fraterna, demonstrando, assim, o verdadeiro rosto de Deus e seu amor (n. 106).
Em cada um desses aspectos, ressalta-se a vontade de Deus de abrir e manter um diálogo com o ser humano (o Deus que fala). E ao Deus que fala, o ser humano responde com fé, entendida como a resposta responsável à proposta de Deus. Precisamente, os cinco aspectos que destacamos, dentre uma lista de nove, de certo modo, refletem essa resposta que deve ser dada a partir do mundo concreto, com seus problemas e expectativas, com suas angústias e esperanças. Um mundo que não devemos esquivar, mas transformar a partir da inspiração da Palavra de Deus.
O documento nos traz à memória o que Dom Óscar Romero dizia quando falava da Bíblia como uma de suas principais fontes de inspiração. Para ele, tomar contato com a Escritura significou pelo menos cinco coisas: lê-la, aprofundar nela; encarná-la, colocá-la em prática e comunicá-la. Lê-la porque "a Bíblia guarda em páginas a Palavra de Deus (16/07/1978). Aprofundá-la: "Estudo a Palavra de Deus que será lida a cada domingo" (20/08/1978). Encarná-la: "Não podemos segregar a Palavra de Deus da realidade histórica (27/11/1977). Colocá-la em prática: "Todo aquele que ouve a Palavra de Deus e a pratica, constrói sobre a rocha" (04/08/1978). Comunicá-la: (para que) "anime, ilumine, contraste, repudie, glorifique o que se está fazendo hoje em nossa sociedade" (27/11/1977).
Em suma, anunciar a Palavra de Deus no mundo, na vida, na história e na natureza, é um dos principais desafios que a exortação propõe, e esse foi um dos principais legados de Dom Romero. (Adital)
* O autor deste texto é Diretor da Rádio Ysuca
Recentemente, tivemos acesso à exortação apostólica "Verbum Domini", de Bento XVI sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja (11/11/2010), na qual recolhe as conclusões da assembleia especial da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos.
O documento - que consta de uma introdução, três partes e uma conclusão - tem como fio condutor o seguinte postulado: "O Cristianismo não é uma religião do livro: o Cristianismo é a religião da Palavra de Deus, não de uma palavra escrita e muda, mas do Verbo encarnado e vivo". Compreender a palavra bíblica não como uma palavra distante, abstrata e alheia ao curso da história, mas como uma palavra encarnada que anima, inspira e interpela; coloca novamente a necessidade de unificar a fé com a vida.
A terceira parte do documento, intitulada "verbum mundo", sublinha o dever dos cristãos de anunciar a Palavra de Deus no mundo em que vivem. Recorda-se que esses (cristãos/cristãs) estão chamados a servir ao verbo de Deus nos irmãos mais sofridos. Concretamente, são assinalados nove aspectos desse serviço, dos quais enunciamos e resumimos cinco, que consideramos fundamentais para a vida de nossos povos:
Primeiro: o compromisso com a justiça na sociedade. Reconhece-se que a Palavra de Deus impulsiona os seres humanos a estabelecer relações animadas pela retidão e pela justiça; denuncia sem ambiguidades as injustiças; promove a solidariedade e a igualdade; nos leva ao compromisso a favor dos que sofrem e são vítimas do egoísmo, e reforça a afirmação dos direitos humanos de cada pessoa (nos. 100, 101).
Segundo: a reconciliação e a paz entre os povos. Propõe-se a necessidade de redescobrir a Palavra de Deus como fonte de reconciliação e paz; por isso, é inconcebível justificar intolerância ou guerras em nome de Deus ou da religião. Esta, ao contrário, deveria impulsionar um uso correto da razão e promover valores éticos que edificam a convivência civil (n. 102).
Terceiro: a caridade efetiva. O compromisso com a justiça, a reconciliação e a paz tem sua raiz última e seu cumprimento no amor que Cristo nos revelou; todos os crentes tem que compreender a necessidade de traduzir em gestos de amor a Palavra escutada, porque somente assim torna-se crível o anúncio do Evangelho. O amor constitui-se em uma espécie de critério de verdade sobre a seriedade com a qual tomamos a palavra de Deus. Por isso, afirma-se no documento que "aquele que acredita ter entendido as Escrituras, ou alguma parte delas, e com essa compreensão não edifica esse duplo amor de Deus e do próximo, ainda não as entendeu" (n. 103).
Quarto: evangelização e emigrantes. A missão evangelizadora da Igreja deve prestar atenção ao complexo fenômeno da emigração; os emigrantes têm o direito de escutar o kerigma que lhes deve ser proposto, mas nunca imposto. Como cristãos, necessitam de assistência pastoral adequada para reforçar sua fé e para que eles mesmos sejam portadores do anúncio evangélico. Os movimentos migratórios devem ser considerados uma ocasião para descobrir novas modalidades de presença e anúncio, e para que se proporcione uma adequada acolhida e animação aos que buscam refúgio, melhores condições de vida, saúde e trabalho (n. 105).
Quinto: anúncio da Palavra aos que sofrem. O ápice da proximidade de Deus com o sofrimento humano pode ser completado no próprio Jesus, que é a Palavra encarnada. Sofreu conosco e morreu. Com sua paixão e morte assumiu e transformou nossa debilidade até o fim. A proximidade de Jesus com os que sofrem não se interrompeu; mas prolonga-se no tempo pela ação do Espírito Santo na missão da Igreja, na Palavra e nos Sacramentos, nos quais homens e mulheres de boa vontade, nas atividades de assistência que as comunidades promovem com caridade fraterna, demonstrando, assim, o verdadeiro rosto de Deus e seu amor (n. 106).
Em cada um desses aspectos, ressalta-se a vontade de Deus de abrir e manter um diálogo com o ser humano (o Deus que fala). E ao Deus que fala, o ser humano responde com fé, entendida como a resposta responsável à proposta de Deus. Precisamente, os cinco aspectos que destacamos, dentre uma lista de nove, de certo modo, refletem essa resposta que deve ser dada a partir do mundo concreto, com seus problemas e expectativas, com suas angústias e esperanças. Um mundo que não devemos esquivar, mas transformar a partir da inspiração da Palavra de Deus.
O documento nos traz à memória o que Dom Óscar Romero dizia quando falava da Bíblia como uma de suas principais fontes de inspiração. Para ele, tomar contato com a Escritura significou pelo menos cinco coisas: lê-la, aprofundar nela; encarná-la, colocá-la em prática e comunicá-la. Lê-la porque "a Bíblia guarda em páginas a Palavra de Deus (16/07/1978). Aprofundá-la: "Estudo a Palavra de Deus que será lida a cada domingo" (20/08/1978). Encarná-la: "Não podemos segregar a Palavra de Deus da realidade histórica (27/11/1977). Colocá-la em prática: "Todo aquele que ouve a Palavra de Deus e a pratica, constrói sobre a rocha" (04/08/1978). Comunicá-la: (para que) "anime, ilumine, contraste, repudie, glorifique o que se está fazendo hoje em nossa sociedade" (27/11/1977).
Em suma, anunciar a Palavra de Deus no mundo, na vida, na história e na natureza, é um dos principais desafios que a exortação propõe, e esse foi um dos principais legados de Dom Romero. (Adital)
* O autor deste texto é Diretor da Rádio Ysuca
quarta-feira, 13 de abril de 2011
“VERBUM DOMINI”: UMA PRIMAVERA DA PALAVRA
Breve Apresentação da Exhortação Apostólica “Verbum Domini”
Na quinta-feira, dia 11 de novembro, foi apresentada na Santa Sé a exortação apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI, Verbum Domini. Na ocasião, interviram o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos e relator geral do Sínodo, Dom Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo, e Dom Fortunato Frezza, subsecretário.
O documento pontifício recolhe, assim o expressa o Papa na introdução, os frutos da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja" (5-26 de Outubro de 2008).
A exortação apostólica chega finalmente, trás uma longa elaboração e espera demorada. Além de apresentar de maneira orgânica e completa o fruto de aquele Sínodo, a exortação pós-sinodal será um documento de base para toda a pastoral bíblica, ou melhor, ainda, para toda a Animação Bíblica da Pastoral nos próximos anos (n. 73).
A exortação apostólica recolhe as muitas reflexões e propostas surgidas durante o Sínodo dos Bispos sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".
A partir daqui encontros e congressos ajudarão a compreender um documento chave, uma verdadeira primavera da Palavra, pois toca o coração da vida cristã e da missão da Igreja: “Com a XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, estamos conscientes de nos termos debruçado de certo modo sobre o próprio coração da vida cristã, dando continuidade à assembleia sinodal anterior sobre a Eucaristia como fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. De fato, a Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela. Ao longo de todos os séculos da sua história, o Povo de Deus encontrou sempre nela a sua força, e também hoje a comunidade eclesial cresce na escuta, na celebração e no estudo da Palavra de Deus. Há que reconhecer que, nas últimas décadas, a vida eclesial aumentou a sua sensibilidade relativamente a este tema, com particular referência à Revelação cristã, à Tradição viva e à Sagrada Escritura” (n. 3).
Já nos dias 2-4 de dezembro, na Universidade Urbaniana de Roma teve lugar o primeiro destes convênios, organizado tempestivamente pela Federação Bíblica Católica, e participaram expertos de várias universidades e competências, entre os quais Dom Gianfranco Ravasi e Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro de Bose.
Na quinta-feira, dia 11 de novembro, foi apresentada na Santa Sé a exortação apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI, Verbum Domini. Na ocasião, interviram o cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos e relator geral do Sínodo, Dom Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, Dom Nikola Eterović, secretário-geral do Sínodo, e Dom Fortunato Frezza, subsecretário.
O documento pontifício recolhe, assim o expressa o Papa na introdução, os frutos da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre “A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja" (5-26 de Outubro de 2008).
A exortação apostólica chega finalmente, trás uma longa elaboração e espera demorada. Além de apresentar de maneira orgânica e completa o fruto de aquele Sínodo, a exortação pós-sinodal será um documento de base para toda a pastoral bíblica, ou melhor, ainda, para toda a Animação Bíblica da Pastoral nos próximos anos (n. 73).
A exortação apostólica recolhe as muitas reflexões e propostas surgidas durante o Sínodo dos Bispos sobre "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja".
A partir daqui encontros e congressos ajudarão a compreender um documento chave, uma verdadeira primavera da Palavra, pois toca o coração da vida cristã e da missão da Igreja: “Com a XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus, estamos conscientes de nos termos debruçado de certo modo sobre o próprio coração da vida cristã, dando continuidade à assembleia sinodal anterior sobre a Eucaristia como fonte e ápice da vida e da missão da Igreja. De fato, a Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela. Ao longo de todos os séculos da sua história, o Povo de Deus encontrou sempre nela a sua força, e também hoje a comunidade eclesial cresce na escuta, na celebração e no estudo da Palavra de Deus. Há que reconhecer que, nas últimas décadas, a vida eclesial aumentou a sua sensibilidade relativamente a este tema, com particular referência à Revelação cristã, à Tradição viva e à Sagrada Escritura” (n. 3).
Já nos dias 2-4 de dezembro, na Universidade Urbaniana de Roma teve lugar o primeiro destes convênios, organizado tempestivamente pela Federação Bíblica Católica, e participaram expertos de várias universidades e competências, entre os quais Dom Gianfranco Ravasi e Enzo Bianchi, Prior do Mosteiro de Bose.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
Mensagem dos Bispos do Brasil sobre a Palavra de Deus e a Animação Bíblica de toda a Pastoral
Dias virão em que o povo sentirá fome da Palavra (cf. Am 8,11)
Na 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, aprofundamos o tema da Palavra de Deus na Igreja. Enquanto aguardamos com muito carinho a Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI, orientados pela mensagem do Sínodo, com as ricas contribuições de toda a Igreja sobre este tema, convidamos todas as comunidades a acolher este grande dom e a preparar o ânimo para uma recepção mais viva da Palavra de Deus. Assim, a Igreja no Brasil poderá ser, nesta mudança de época, anunciadora corajosa das riquezas da Palavra em estado permanente de missão em toda a sua ação evangelizadora.
No Prólogo do evangelho de São João, encontramos o anúncio que ilumina a vida do mundo inteiro: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus... e a Palavra se fez carne” (Jo 1, 1.14). A Palavra se torna um de nós e pode ser vista, tem um nome e um rosto: é Jesus Cristo. Depois de percorrer as estradas da Palestina, encontrando todo tipo de pessoas e fazendo o bem, a Palavra feita carne se manifesta de forma mais eminente no Mistério Pascal. É o amor do Pai que, na glorificação do Filho, chega até nós pela força do Espírito.
Do lado aberto de Jesus nasce a Igreja, que, guiada pelo Espírito, começa a colocar por escrito a Palavra revelada, que não se esgota nos textos sagrados, mas continua no rio de vida que é a Tradição. Isso aconteceu, também, no Antigo Testamento quando a experiência da salvação deu origem, já no povo de Israel, aos textos sagrados. A Palavra, portanto, germina na vida da Igreja e é autenticamente interpretada por meio do Magistério do sucessor de Pedro e dos bispos em comunhão com ele. Esta Palavra, que é vida, continua viva nas comunidades cristãs.
Exortamos os discípulos e as discípulas de Jesus do nosso tempo a se deixarem alcançar pela palavra de seu Mestre. Como aos primeiros, lá na Palestina, Ele lhes dirigiu o olhar e a palavra (cf. Mt 4,18-22). Eles, ao ouvirem sua palavra, acolheram sua Pessoa: seguiram-no. Foi um começo. Muitas vezes, depois, tiveram que renovar os motivos para o seguimento. Naquelas situações, a Palavra do Senhor não lhes faltava: escutavam-no. Deixavam-se ensinar por Ele. E os discípulos amadureciam no seguimento e nos seus vínculos pessoais com o Senhor. Esta palavra continua viva na história e chegou até nós, na terra de Santa Cruz.
Louvemos a Deus por tudo o que se fez e se faz em nosso Brasil por meio do trabalho evangelizador com a Bíblia, desde o “movimento bíblico” já antes do Concílio Vaticano II, e com ele, e a partir dele, com a rica “pastoral bíblica”. A nossa Igreja no Brasil tornou-se mais atenta em acolher a Revelação do Senhor, mais animada em encontrar-se com a Palavra viva, que é Jesus Cristo, e mais profética e misericordiosa em servir a todos, especialmente aos mais fracos.
Deus suscita em nosso povo uma grande fome e sede da Palavra, uma grande procura e desejo de conhecer, viver e anunciar a mensagem da Sagrada Escritura. Este encantamento pela Palavra é um apelo para que, em nossas dioceses, paróquias e comunidades se ofereça e se facilite o acesso à Bíblia, ao estudo bíblico e a vivência da mensagem revelada.
Em continuidade com tudo que já se realiza, somos convidados a dar um novo passo. Trata-se de compreender que a Palavra de Deus é a alma de toda a ação evangelizadora da Igreja. Propõe-se uma verdadeira “Animação Bíblica da Pastoral”. Assim a Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura suscita, forma e acompanha a vocação e a missão de cada discípulo missionário de Jesus Cristo e orienta as ações organizadas da Igreja. Dessa forma, além de ser “alma da teologia” (DV 24), a Palavra de Deus torna-se também a “alma da ação evangelizadora da Igreja” (DP 372; DAp 248).
Quando falamos da “Animação Bíblica da Pastoral”, propomos conhecer e assimilar mais a Revelação de Deus, em ter, mediante sua Palavra, um encontro pessoal e comunitário com o Senhor e sermos corajosos missionários do Reino de Deus. Por isso a “Animação Bíblica da Pastoral” deve tornar-se um verdadeiro aprendizado, por meio de um caminho de conhecimento e interpretação da Sagrada Escritura, caminho de comunhão e oração com o Senhor e caminho de evangelização e anúncio da Palavra de Deus, esperança para o nosso mundo (cf. DAp 248).
É hora, pois, de uma formação bíblica mais intensa, profunda, sistemática e corajosa; de um contínuo e fascinante contato com a Palavra de Deus, que é Jesus Cristo; de uma forte e vibrante ação evangelizadora a partir da Palavra de Deus.
Com a Bíblia na mão, a Palavra de Deus no coração e com os pés na missão, somos convocados à prática da Leitura Orante. Feita com todo empenho em nível pessoal e comunitário, ela vai nos educar na fé proporcionando uma catequese bíblica, que forma discípulos apaixonados por Jesus Cristo. Ela nos leva a celebrar a esperança na liturgia, que dispõe para plena comunhão com Deus, que se realiza na Eucaristia. Ela, enfim, fortalece-nos na missão de anunciar a Palavra a todos os povos por meio de uma caridade criativa. Quando pessoas e comunidades são transformadas pela Palavra, multiplicam-se na Igreja e na sociedade frutos de amor, solidariedade, justiça e paz.
Convidamos todas as Igrejas particulares, com suas pastorais, movimentos, organismos, associações, novas comunidades, círculos bíblicos, grupos de família e outras expressões comunitárias, a fazer um verdadeiro mutirão de Leitura Orante em seus diversos métodos, entre os quais se destaca a Lectio Divina.
Deixemo-nos cativar pela Palavra. Ela faz arder nossos corações, abrir nossas mãos e torna velozes os nossos pés na missão. Maria, modelo perfeito de acolhida e de seguimento da Palavra nos acompanhe na escuta orante e na dedicação generosa ao anúncio da Palavra a partir do testemunho da nossa vida.
Brasília, 12 de maio de 2010
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
Fonte:CNBB
Na 48ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, aprofundamos o tema da Palavra de Deus na Igreja. Enquanto aguardamos com muito carinho a Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Bento XVI, orientados pela mensagem do Sínodo, com as ricas contribuições de toda a Igreja sobre este tema, convidamos todas as comunidades a acolher este grande dom e a preparar o ânimo para uma recepção mais viva da Palavra de Deus. Assim, a Igreja no Brasil poderá ser, nesta mudança de época, anunciadora corajosa das riquezas da Palavra em estado permanente de missão em toda a sua ação evangelizadora.
No Prólogo do evangelho de São João, encontramos o anúncio que ilumina a vida do mundo inteiro: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus... e a Palavra se fez carne” (Jo 1, 1.14). A Palavra se torna um de nós e pode ser vista, tem um nome e um rosto: é Jesus Cristo. Depois de percorrer as estradas da Palestina, encontrando todo tipo de pessoas e fazendo o bem, a Palavra feita carne se manifesta de forma mais eminente no Mistério Pascal. É o amor do Pai que, na glorificação do Filho, chega até nós pela força do Espírito.
Do lado aberto de Jesus nasce a Igreja, que, guiada pelo Espírito, começa a colocar por escrito a Palavra revelada, que não se esgota nos textos sagrados, mas continua no rio de vida que é a Tradição. Isso aconteceu, também, no Antigo Testamento quando a experiência da salvação deu origem, já no povo de Israel, aos textos sagrados. A Palavra, portanto, germina na vida da Igreja e é autenticamente interpretada por meio do Magistério do sucessor de Pedro e dos bispos em comunhão com ele. Esta Palavra, que é vida, continua viva nas comunidades cristãs.
Exortamos os discípulos e as discípulas de Jesus do nosso tempo a se deixarem alcançar pela palavra de seu Mestre. Como aos primeiros, lá na Palestina, Ele lhes dirigiu o olhar e a palavra (cf. Mt 4,18-22). Eles, ao ouvirem sua palavra, acolheram sua Pessoa: seguiram-no. Foi um começo. Muitas vezes, depois, tiveram que renovar os motivos para o seguimento. Naquelas situações, a Palavra do Senhor não lhes faltava: escutavam-no. Deixavam-se ensinar por Ele. E os discípulos amadureciam no seguimento e nos seus vínculos pessoais com o Senhor. Esta palavra continua viva na história e chegou até nós, na terra de Santa Cruz.
Louvemos a Deus por tudo o que se fez e se faz em nosso Brasil por meio do trabalho evangelizador com a Bíblia, desde o “movimento bíblico” já antes do Concílio Vaticano II, e com ele, e a partir dele, com a rica “pastoral bíblica”. A nossa Igreja no Brasil tornou-se mais atenta em acolher a Revelação do Senhor, mais animada em encontrar-se com a Palavra viva, que é Jesus Cristo, e mais profética e misericordiosa em servir a todos, especialmente aos mais fracos.
Deus suscita em nosso povo uma grande fome e sede da Palavra, uma grande procura e desejo de conhecer, viver e anunciar a mensagem da Sagrada Escritura. Este encantamento pela Palavra é um apelo para que, em nossas dioceses, paróquias e comunidades se ofereça e se facilite o acesso à Bíblia, ao estudo bíblico e a vivência da mensagem revelada.
Em continuidade com tudo que já se realiza, somos convidados a dar um novo passo. Trata-se de compreender que a Palavra de Deus é a alma de toda a ação evangelizadora da Igreja. Propõe-se uma verdadeira “Animação Bíblica da Pastoral”. Assim a Palavra de Deus contida na Sagrada Escritura suscita, forma e acompanha a vocação e a missão de cada discípulo missionário de Jesus Cristo e orienta as ações organizadas da Igreja. Dessa forma, além de ser “alma da teologia” (DV 24), a Palavra de Deus torna-se também a “alma da ação evangelizadora da Igreja” (DP 372; DAp 248).
Quando falamos da “Animação Bíblica da Pastoral”, propomos conhecer e assimilar mais a Revelação de Deus, em ter, mediante sua Palavra, um encontro pessoal e comunitário com o Senhor e sermos corajosos missionários do Reino de Deus. Por isso a “Animação Bíblica da Pastoral” deve tornar-se um verdadeiro aprendizado, por meio de um caminho de conhecimento e interpretação da Sagrada Escritura, caminho de comunhão e oração com o Senhor e caminho de evangelização e anúncio da Palavra de Deus, esperança para o nosso mundo (cf. DAp 248).
É hora, pois, de uma formação bíblica mais intensa, profunda, sistemática e corajosa; de um contínuo e fascinante contato com a Palavra de Deus, que é Jesus Cristo; de uma forte e vibrante ação evangelizadora a partir da Palavra de Deus.
Com a Bíblia na mão, a Palavra de Deus no coração e com os pés na missão, somos convocados à prática da Leitura Orante. Feita com todo empenho em nível pessoal e comunitário, ela vai nos educar na fé proporcionando uma catequese bíblica, que forma discípulos apaixonados por Jesus Cristo. Ela nos leva a celebrar a esperança na liturgia, que dispõe para plena comunhão com Deus, que se realiza na Eucaristia. Ela, enfim, fortalece-nos na missão de anunciar a Palavra a todos os povos por meio de uma caridade criativa. Quando pessoas e comunidades são transformadas pela Palavra, multiplicam-se na Igreja e na sociedade frutos de amor, solidariedade, justiça e paz.
Convidamos todas as Igrejas particulares, com suas pastorais, movimentos, organismos, associações, novas comunidades, círculos bíblicos, grupos de família e outras expressões comunitárias, a fazer um verdadeiro mutirão de Leitura Orante em seus diversos métodos, entre os quais se destaca a Lectio Divina.
Deixemo-nos cativar pela Palavra. Ela faz arder nossos corações, abrir nossas mãos e torna velozes os nossos pés na missão. Maria, modelo perfeito de acolhida e de seguimento da Palavra nos acompanhe na escuta orante e na dedicação generosa ao anúncio da Palavra a partir do testemunho da nossa vida.
Brasília, 12 de maio de 2010
Dom Geraldo Lyrio Rocha
Arcebispo de Mariana
Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Manaus
Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário-Geral da CNBB
Fonte:CNBB
quinta-feira, 31 de março de 2011
MUTIRÃO PELA VIDA: NOVO JEITO DE LER A BÍBILIA
Introdução
Nessas páginas, que foram publicadas pelo boletim Anúncio & ação da Paróquia Nossa Sra. do Resgate – Cabula, Salvador/BA, queremos aprofundar juntos a Palavra de Deus que a Bíblia nos comunica. A Bíblia vai ser o nosso espelho, onde contemplarmos o Rosto de Deus e, ao mesmo tempo, os dons e a missão que Deus colocou no coração de cada pessoa e comunidade.
Mutirão pela Vida
Quer ser um mutirão de mãos dadas, solidárias, amigas, irmãs, à procura de vida, de mais Vida para todos (Jo 10,10). Um contar com a ajuda do irmão, da irmã, de companheiros e companheiras de caminhada: algo assim como um "Café Bíblico", onde as pessoas (crianças, jovens, adultos) se encontram para "cavar juntos esse poço e beber da Palavra". Quem não entende, pergunta e quem sabe alguma coisa, partilha. Algo assim como aquele encontro do etíope com Filipe (At 8,26-39). Seria lindo, encontrarmos duplas ou pequenos grupos que sentam e juntos aprofundam a Palavra de Deus e iluminam a Vida do dia-a-dia. Por isso, Mutirão pela Vida.
Um novo jeito de lermos a Bíblia
Pretende ser também um novo jeito de ler a Bíblia: com olhar novo, com coração novo; com o olhar sempre novo e desafiador de Jesus que veio trazer a Boa Notícia para os pobres (Lc 4,16-30; 7,22) e com eles se identifica (Mt 25, 31-46). E tudo isso, para que aos últimos e pequenos, homens e mulheres, seja revelado o Rosto do Pai (Mt 11,25) com grande alegria para Jesus e para as comunidades que hoje seguem as pegadas de Jesus e assumem a sua prática e a sua missão. Grande desafio para todos nós!
TRÊS IMAGENS DA BÍBLIA
Em primeiro lugar, sabemos que a Bíblia não caiu do céu já prontinha e feita. Deus não entregou a Bíblia de presente, num pacote bem embrulhado, mesmo que poderia ter feito. Ele podia, mas não o fez. Tanto é assim que temos imagens bem diferentes da Bíblia e de como ela se formou. Vejamos algumas dessas imagens: três!
1. A Bíblia, fita de vídeo
A Bíblia seria como uma fita de vídeo dos acontecimentos todos desde o início da criação (Gênesis) até à Cidade Nova, o Novo Quilombo: a Nova Jerusalém (Ap 21-22).
A Bíblia toda seria um documento histórico, em primeiro lugar. Já houve pessoas que alertaram para esse tipo de leitura e a dificuldade para interpretar, do ponto de vista histórico, passagens do Êxodo ou Josué.
Dessa imagem ou de outras semelhantes, segue-se um jeito de interpretar a Bíblia: Pegar tudo ao pé da letra.
Muitas páginas já se escreveram sobre isso. Para algumas pessoas a dificuldade maior, na hora de interpretar a Bíblia, seria como saber quando pegar ao pé da letra - mesmo que a letra não tenha pé!- e quando não!
2. Bíblia vista como farmácia
A Bíblia é vista, às vezes, como uma farmácia. Chega lá e apenas olhar o título sobre a porta: Toda coisa lá dentro é a mesma coisa. Tudo, pra nós, é remédio, simplesmente remédio e mais nada. Pedimos o remédio que está na receita e acabou!
Fazendo assim, acaba-se matando a memória plural e popular de séculos de história; aquela memória de caminhada que o Povo de Deus nos deixou em herança.
A Bíblia é a rica experiência de um povo que estava convencido de que nos acontecimentos Deus estava moldando o seu destino. Deus lhe confia uma missão, com grande horizonte pela frente, mesmo que o povo mostre, às vezes, uma visão interesseira e curta.
3. Bíblia, "um pão muito grande!"
Algumas pessoas foram acostumadas a ler a Bíblia pegando um pedacinho cá, outro lá. Lêem apenas alguns trechinhos: Pegam pequenas migalhas, como se de um grande pão se tratasse!
Esta maneira de ler não é só de hoje. É muito antiga. Tem muitos admiradores. Quem gosta de ler só o Novo Testamento; outro só alguns trechos do Antigo Testamento. Outros preferem ler só o Apocalipse ou frases escolhidas por sorte, fechando os olhos... ou de qualquer outro jeito.
Contava-me um amigo. "Eu fecho os olhos, abro a Bíblia e lá vou eu!" Mas uma vez esse meu amigo abriu o Evangelho e pegou aquele trecho da morte de Judas: "... e Judas foi e enforcou-se!".
Acabada aquela leitura repitiu a dose e do mesmo jeito: fechou os olhos, se concentrou e abriu de novo o evangelho: pegou o finzinho de algo desconhecido: "Vá agora e faça a mesma coisa!".
Meu amigo tomou um susto tal que nunca mais repetiu a metodologia acostumada.
Você já contou história para criança começando pela metade? Você já escutou piada omitindo o final? E por que fazer isso com a Palavra de Deus?
Dessas várias imagens ou visões da Bíblia, seguem-se "leituras" e "práticas" pastorais concretas que não levam em conta toda a complexidade e riqueza da Palavra de Deus.
Aos poucos, vamos ver tudo isso. Fique acompanhando!
Nessas páginas, que foram publicadas pelo boletim Anúncio & ação da Paróquia Nossa Sra. do Resgate – Cabula, Salvador/BA, queremos aprofundar juntos a Palavra de Deus que a Bíblia nos comunica. A Bíblia vai ser o nosso espelho, onde contemplarmos o Rosto de Deus e, ao mesmo tempo, os dons e a missão que Deus colocou no coração de cada pessoa e comunidade.
Mutirão pela Vida
Quer ser um mutirão de mãos dadas, solidárias, amigas, irmãs, à procura de vida, de mais Vida para todos (Jo 10,10). Um contar com a ajuda do irmão, da irmã, de companheiros e companheiras de caminhada: algo assim como um "Café Bíblico", onde as pessoas (crianças, jovens, adultos) se encontram para "cavar juntos esse poço e beber da Palavra". Quem não entende, pergunta e quem sabe alguma coisa, partilha. Algo assim como aquele encontro do etíope com Filipe (At 8,26-39). Seria lindo, encontrarmos duplas ou pequenos grupos que sentam e juntos aprofundam a Palavra de Deus e iluminam a Vida do dia-a-dia. Por isso, Mutirão pela Vida.
Um novo jeito de lermos a Bíblia
Pretende ser também um novo jeito de ler a Bíblia: com olhar novo, com coração novo; com o olhar sempre novo e desafiador de Jesus que veio trazer a Boa Notícia para os pobres (Lc 4,16-30; 7,22) e com eles se identifica (Mt 25, 31-46). E tudo isso, para que aos últimos e pequenos, homens e mulheres, seja revelado o Rosto do Pai (Mt 11,25) com grande alegria para Jesus e para as comunidades que hoje seguem as pegadas de Jesus e assumem a sua prática e a sua missão. Grande desafio para todos nós!
TRÊS IMAGENS DA BÍBLIA
Em primeiro lugar, sabemos que a Bíblia não caiu do céu já prontinha e feita. Deus não entregou a Bíblia de presente, num pacote bem embrulhado, mesmo que poderia ter feito. Ele podia, mas não o fez. Tanto é assim que temos imagens bem diferentes da Bíblia e de como ela se formou. Vejamos algumas dessas imagens: três!
1. A Bíblia, fita de vídeo
A Bíblia seria como uma fita de vídeo dos acontecimentos todos desde o início da criação (Gênesis) até à Cidade Nova, o Novo Quilombo: a Nova Jerusalém (Ap 21-22).
A Bíblia toda seria um documento histórico, em primeiro lugar. Já houve pessoas que alertaram para esse tipo de leitura e a dificuldade para interpretar, do ponto de vista histórico, passagens do Êxodo ou Josué.
Dessa imagem ou de outras semelhantes, segue-se um jeito de interpretar a Bíblia: Pegar tudo ao pé da letra.
Muitas páginas já se escreveram sobre isso. Para algumas pessoas a dificuldade maior, na hora de interpretar a Bíblia, seria como saber quando pegar ao pé da letra - mesmo que a letra não tenha pé!- e quando não!
2. Bíblia vista como farmácia
A Bíblia é vista, às vezes, como uma farmácia. Chega lá e apenas olhar o título sobre a porta: Toda coisa lá dentro é a mesma coisa. Tudo, pra nós, é remédio, simplesmente remédio e mais nada. Pedimos o remédio que está na receita e acabou!
Fazendo assim, acaba-se matando a memória plural e popular de séculos de história; aquela memória de caminhada que o Povo de Deus nos deixou em herança.
A Bíblia é a rica experiência de um povo que estava convencido de que nos acontecimentos Deus estava moldando o seu destino. Deus lhe confia uma missão, com grande horizonte pela frente, mesmo que o povo mostre, às vezes, uma visão interesseira e curta.
3. Bíblia, "um pão muito grande!"
Algumas pessoas foram acostumadas a ler a Bíblia pegando um pedacinho cá, outro lá. Lêem apenas alguns trechinhos: Pegam pequenas migalhas, como se de um grande pão se tratasse!
Esta maneira de ler não é só de hoje. É muito antiga. Tem muitos admiradores. Quem gosta de ler só o Novo Testamento; outro só alguns trechos do Antigo Testamento. Outros preferem ler só o Apocalipse ou frases escolhidas por sorte, fechando os olhos... ou de qualquer outro jeito.
Contava-me um amigo. "Eu fecho os olhos, abro a Bíblia e lá vou eu!" Mas uma vez esse meu amigo abriu o Evangelho e pegou aquele trecho da morte de Judas: "... e Judas foi e enforcou-se!".
Acabada aquela leitura repitiu a dose e do mesmo jeito: fechou os olhos, se concentrou e abriu de novo o evangelho: pegou o finzinho de algo desconhecido: "Vá agora e faça a mesma coisa!".
Meu amigo tomou um susto tal que nunca mais repetiu a metodologia acostumada.
Você já contou história para criança começando pela metade? Você já escutou piada omitindo o final? E por que fazer isso com a Palavra de Deus?
Dessas várias imagens ou visões da Bíblia, seguem-se "leituras" e "práticas" pastorais concretas que não levam em conta toda a complexidade e riqueza da Palavra de Deus.
Aos poucos, vamos ver tudo isso. Fique acompanhando!
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