“É preciso fundamentar nosso compromisso missionário e toda a nossa vida na rocha da Palavra de Deus” (Doc. Aparecida 247)
terça-feira, 30 de agosto de 2011
APOCALIPSE: A ALEGRIA DE SERMOS PROFETAS (III)
4. DICAS PARA LER O APOCALIPSE
O livro que temos em mãos vai dirigido às sete igrejas (1,4.11). Trás a visão inaugural , as sete mensagens proféticas que o Senhor Ressuscitado dirige “pessoalmente” ao anjo de cada uma das sete igrejas (1,9-3,22), e todo o resto do livro as tem como pano de fundo.
1. Sete Bem-aventuranças estruturam toda a construção chamando a atenção aos destinatários para entender que tipo de obra tem nas mãos (1,3; 14,13; 16,15; 19,9; 20,6; 22,7; 22,14).
2. Sete mensagens proféticas são dirigidas a cada um dos sete anjos das sete igrejas (ver capítulos 2-3)
3. Sete promessas ao Vencedor ao final de cada mensagem profética (2,7.11.17.26; 3,5.12.21 (2x)) e logo no resto do livro aparece o sentido e o chamado a vencer: 5,5; 6,2; 11,7; 12,11; 13,7; 15,2; 17,14; 21,7 (total: 17 vezes): ¡O Apocalipse, a pesar de tudo, é um livro de VITÓRIA!
4. Sete Advertências a escutar: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”: 2,7.11.17.29; 3,6.13.22.
5. Também há chamadas de atenção ou avisos fortes que iniciam com um Ai, e que encontramos em: 8,13(3x); 9,12(2x); 11,14(2x); 12,12; 18,10(2x); 18,16(2x); 18,19 (2x) (total: 14 vezes).
6. Não faltam ameaças e castigos: agora bem, fiquemos de olho para os destinatários: É bom não trocar uns pelos outros: o resultado seria uma brincadeira pesada!
7. No primeiro capítulo temos a visão do Ressuscitado que, como farol, ilumina todo o livro do Apocalipse: 1,9-20. No capítulo 4: O Símbolo central: O que está sentado no TRONO. Capítulo 5: O CORDERO DEGOLADO E EM PÉ!
8. O LIVRO selado com sete selos e que só o Cordeiro pode abrir. Sete trombetas tocarão (juízo sobre a história) e a tarefa de PROFETIZAR: o livro aberto que o profeta deve comer! (Ap 10,8-11).
9. A luta do Dragão e da Mulher (capítulo 12). A Besta (13,1-10) e a pequena besta (13,11-18). Sete Copas da ira de Deus e seus destinatários... (cap. 15-16).
10. A grande Prostituta – Babilônia e a sua queda clamorosa (17-19) e a derrota do Dragão (20,1-15).
11. A Esposa do Cordeiro e o casamento do Cordeiro (19,5-9). O livro conclui com a Nova Jerusalém (Ap 21-22), cidade contraposta à Babilônia, onde a Vida cresce por todo canto, e a luz brilha nela, pois se encontra o trono de Deus e do Cordeiro, e não faltará a luz da lâmpada nem a luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina: “A cidade não precisa que o sol a ilumine nem a luz, porque a glória de Deus a ilumina, e sua lâmpada é o Cordeiro. Á sua luz caminharão as nações, e os reis ao seu esplendor” (21,23-24).
5. BIBLIOGRAFÍA
ALEGRE X., El Apocalipsisde Juan, en TUÑI Josep Oriol- X. ALEGRE,Escritos joánicos y cartas paulinas, IEB 8, Estella, Verbo Divino, 1995 (existe tradução em português).
ARENS Eduardo – DIAZ MATEOS Manuel, O Apocalipse. A força da esperança. Estudo, leitura e comentário, São Paulo, Loyola, 2004.
José BORTOLINI, Como ler o Apocalipse. Resistir e denunciar, São Paulo, Paulus, 31994.
GRUPO DE REFLEXÃO DA CRB, O sonho do povo de Deus. As comunidades e o movimento apocalíptico, Rio de Janeiro - São Paulo, CRB- Publicações/1996 – Loyola, 1996.
HOWARD- BROOK Wes – GWYTHER Anthony, Desmascarando o imperialismo. Interpretação do Apocalipse ontem e hoje, São Paulo, Loyola – Paulus, 2003.
Carlos MESTERS, Esperança de um povo que luta. O Apocalipse de são João, uma chave de leitura, São Paulo, Paulus.
MESTERS Carlos – OROFINO F., Apocalipse de são João. A teimosia da fé dos pequenos, Petrópolis, Vozes, 2002.
MESTERS Carlos – OROFINO F., Apocalipse de João. Esperança, Coragem e Alegria. Círculos Bíblicos, São Leopoldo – São Paulo, CEBI – Paulus, 2002.
PRÉVOST Jean- Pierre, Para leer el Apocalipsis, Estella, Verbo Divino, 1994.
PRIGENT Pierre, O Apocalipse, São Paulo, Loyola, 1993.
RIBLA, Apocalipse de João e a mística do milênio, 34 (1999). Número monográfico.
RICHARD Pablo, Apocalipse. Reconstrução da esperança, Vozes, Petrópolis, 1996.
SCHÜSSLER FIORENZA Elisabeth, Apocalipsis. Visión de um mundo justo, Estella, Verbo Divino, 1997.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
APOCALIPSE: A ALEGRIA DE SERMOS PROFETAS (II)
2. CHAVES DE LEITURA DO APOCALIPSE
1. Apocalipse, diário e cancioneiro de resistência. O Apocalipse é um escrito de luta no qual Deus vai escrevendo a Vida: Ap 4,4-11; 5,8-14; 11,15-18; 12,10-12; 14,2-3; 15,2-8; 16,5-7; 19,1-8; 21,3-7.
2. Apocalipse, livro profético de denúncia radical: Com expressões simbólicas, e imagens reais e radicais que exigem uma leitura no contexto no qual aparecem! Há capítulos muito significativos onde a lógica da Vida e a lógica da Morte se enfrentam e é necessário fazer uma escolha (12-13; 13,10.18; 17-18).
3. Apocalipse, memória da celebração da Vida (1,16) e da Vitória (19,1-4) de todas aquelas pessoas que creem na Força do “Cordeiro degolado e em pé” (5,16), O Vivente que tem em sua mão as “sete estrelas” e está sentado no trono de seu Pai (3,21) e é o único capaz de tomar o livro e abrir os selos, quer dizer, é capaz de interpretar toda a história da humanidade desde o começo até o final: ¡Alfa e Ômega! (1,8; 21,6: 22,13).
4. Apocalipse é um quebra-cabeça do AT: simbolismo.
A linguajem simbólica é claramente sublinhada pelos comentaristas que se adentram neste oceano de luz e esplendor. Xavier Alegre comenta que a linguajem simbólica é um dos traços mais específicos da literatura apocalíptica e contribui a convertê-la numa literatura cifrada. Em Ap as imagens estão tomadas, frequentemente, do AT. Se temos em conta as citações e as alusões ao AT, “Apocalipse poderia ser visto como um quebra-cabeça do AT”.
5. Apocalipse, revelação do testemunho profético da comunidade até as últimas consequências, como Antipas, João de Patmos e a Testemunha fiel e fidedigna (1,5).
6. Apocalipse, promessa de felicidade. Sete bem-aventuranças se escondem em seu seio, como pilares fortes que sustentam todo o edifício: 1,3; 14,13; 16,15; 19,9; 20,6; 22,7.14.
7. Apocalipse, livro da urgente Justiça: Até quando, Senhor? (6,10-11) proclamam insistentemente os mártires pedindo justiça. Neles ecoa o grito das comunidades crucificadas ao longo da história: “Eles gritaram em alta voz: «Senhor santo e verdadeiro, até quando tardarás em fazer justiça, vingando o nosso sangue contra os habitantes da terra?» Então foi dada a cada um deles uma veste branca. Também foi dito a eles que descansassem mais um pouco de tempo, até que ficasse completo o número de seus companheiros e irmãos, que iriam ser mortos como eles” (6,10-11), e encontra a resposta no Rosto daquele que foi Degolado como Cordeiro e AGORA está DE PÉ (5,6).
Os seguidores do Cordeiro sabem muito bem de quem se trata, e todo aquele que o sabe, encontra também força e motivos para crer, resistir e esperar no meio da tribulação (1,9; 2,9.10.22; 7,14). Aí está escondida a força vigorosa deste livro “profético” (1,3; 11,6; 19,10; 22,7.10.18.19), “evangelho eterno” (14,6) para enfrentar a tribulação, a perseguição e se for preciso até a mesma morte como Antipas (2,13) e tantos outros (7,14-17), “por que a esperança não morre jamais!” (Dom Avelar, bispo de Salvador).
8. Apocalipse, livro da teimosa Esperança do mandacaru: 2,7.11.17.26; 3,5.12.21.
Propomos ler o Apocalipse desde o começo até o final, seguindo as pistas narrativas que nos vai colocando a cada passo. Não é suficiente lê-lo uma só vez para familiarizar-se e ter sintonia com as imagens e os símbolos mais significativos do Apocalipse, entrando assim realmente no miolo da sua mensagem.
É necessário ter presentes as chaves de leitura que o mesmo Autor nos oferece desde o título-prólogo, onde faz uma síntese do caminho que quer fazer percorrer aos leitores de ontem e de hoje.
Assim, seguindo passo a passo as suas dicas compreenderemos as diferentes situações que descreve a partir dos contextos culturais, sociais, políticos e religioso-teológicos. Do contrario, corremos o risco de ficarmos na casca, sem saborear o fruto que está dentro e sem chegar a captar a raiz, a Espiritualidade que anima cada página desta obra fascinante e maravilhosa dirigida as Sete Igrejas da Ásia e ao mesmo tempo à Igreja de todos os tempos e lugares: para descobrir qual é a Revelação de Jesus Cristo e suscitar Resistência, perseverança e confiança na Vitoria do Senhor Ressuscitado provocando a esperança com o mesmo grito de alegria da Esposa e do Espírito que dizem: ¡VEM, SENHOR, JESUS! (22,17-21).
3. ESTRUTURA GLOBAL DO APOCALIPSE (Pablo Richard).
Prólogo e saudação (tempo presente): 1,1-8
A) 1,9-3,22: Visão apocalíptica da Igreja
B) 4,1-8,1: Visão profética da história
C) 8,2-11,19: as trombetas (releitura do Êxodo)
CENTRO: 12,1-15,4: a comunidade cristã entre as Bestas
C´) 15,5-16,21: as taças (releitura do Êxodo)
B´) 17,1-19,10: visão profética da história
A´) 19,11-22,5 visão apocalíptica do futuro
Epílogo (tempo presente): 22,6-21
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
APOCALIPSE: A ALEGRIA DE SERMOS PROFETAS
Teologia narrativa para comunidades proféticas
0. INTRODUÇÃO
O Apocalipse, apesar das dificuldades que entranha, é um livro fascinante. Digo isso, agora, depois de haver experimentado grande dificuldade para explicá-lo às comunidades que me pediram um curso sobre Apocalipse, e de tê-lo estudado logo durante vários anos. Demorei dois anos até que encontrei o jeito de apresentá-lo em Equipe durante três semanas, primeiro a 70 adultos e dez crianças, e em seguida a 75 crianças e 150 jovens e adultos da paróquia Nossa Senhora Auxiliadora de Pau da Lima, Salvador na Bahia.
- DESMONTANDO: O QUE NÃO É O APOCALIPSE!
O Aurélio diz sobre o Apocalipse: “O último livro do Novo Testamento atribuído a S. João, o Evangelista, e que contém revelações terroríficas acerca dos destinos da humanidade. Fig. Linguagem muito obscura, sibilina”. Assim, na linguagem popular e comum, apocalipse e apocalíptico, deixaram de ser um gênero literário cultivado, sobretudo nos dois séculos anteriores a era cristã e nos dos séculos depois de Cristo, e passaram a ser sinônimo de coisas tremendas, terroríficas, de catástrofes, desastres ou coisas semelhantes... Devido ao fato de, na maioria das bíblias em língua portuguesa se usar o título Apocalipse e não Revelação, até o significado da palavra ficou obscuro, sendo às vezes usado como sinônimo (errôneo) de "fim do mundo".
Existem, falando muito em geral, dois tipos de Apocalipses: Primeiro, aquele que escreveu João e temos na Bíblia, difícil de se explicar, mas da para entender. Segundo, existe outro Apocalipse na cabeça de muita gente (!), no imaginário do povo em geral, criado na cultura ao longo de séculos de história, fruto de certa literatura ou de películas cheio de monstros, imagens fabulosas e coloridas que realmente não da para explicar, por que não corresponde e não tem nada a ver com o texto que encontramos no livro do Apocalipse!
Em ambientes fundamentalistas, infelizmente, é costume enfatizar aspectos que jamais foram os mais importantes no Apocalipse, baseados apenas em um ou outro texto. Uma leitura ao pé da letra e uma leitura dos textos fora do contexto levam a qualquer pretexto ou a uma leitura falseada de sua finalidade original!
Uma coisa muito estranha e curiosa: O Apocalipse é um livro que causa muito medo , quando, paradoxalmente, foi escrito para comunidades perseguidas no meio do Império Romano para acender nelas a Coragem, a Resistência, a Alegria, a Profecia, o sentido da Vitória e da Esperança em Cristo, O Vivente! Há várias figuras ao longo do livro, mas a figura CENTRAL do Apocalipse é, sem dúvida alguma, CRISTO MORTO E RESSUSCITADO!
Estou convencido, como dizem Eduardo e Manuel, que “O Apocalipse é totalmente diverso porque ensina a viver a fidelidade corajosa em meio ao mundo e ao conflito, confiante na vitória de Cristo. O Apocalipse é, antes de tudo, um livro de confiança, segurança e esperança” .
1. CAÇA AO TESOURO: CRITÉRIOS DE LEITURA DO APOCALIPSE
1. Começar pelo começo e chegar até o fim: isso está muito bem! Assim de simples e assim de claro: ler capítulo por capítulo. Desde o começo até o final, seguindo o fio dos acontecimentos, seguindo a pista das personagens, seguindo as chaves que vai colocando a cada passo. Meu conselho, breve e direto, é ler os três primeiros capítulos, três vezes. Logo o resto até o final.
2. Ler e interpretar os textos difíceis e escuros, à luz dos textos claros. Não começar logo por interpretar os detalhes. Uma vez que temos a visão de conjunto os detalhes se iluminam reciprocamente. Ler um minuto cada dia. Leitura constante e continua para entrar em sintonia e ter intimidade “com o mundo do Apocalipse”.
3. Anota tudo o que lhe chamou a atenção na leitura.
4. Anota todas as perguntas e dúvidas relacionadas com o Apocalipse. Uma vez anotadas as perguntas, lê o Apocalipse e deixa que a leitura e o texto respondam em seu momento e iluminem as dúvidas e perguntas. O texto se irá fazendo cada vez mais transparente, revelando seu segredo e o objetivo último pelo qual foi escrito.
5. Ler e trabalhar o Apocalipse em grupo, em comunidade (1,3; 2,1-3,22). O Apocalipse está dirigido a sete comunidades, por isso a comunidade é o lugar ideal para compreendê-lo em profundidade.
6. Celebrar: O Apocalipse é uma grande celebração da Vitória sonhada, esperada trás anos de luta e compromisso (Ap 6,9-11). O Apocalipse nos convida a compartilhar uma Festa no Céu e na Terra. Convida a olhar o Céu para entender tudo o que se passa na Terra e poder gerar céus novos e terra nova onde habite a Justiça (Ap 21-22; 2 Pd 3,13).
7. Praticar é a condição para Ser Felizes (Ap 1,3). Essa é a exigência que aparece também no Evangelho (Mt 7,21-27) e se renova no começo do Apocalipse, como programa de vida e luz para o caminho e a missão.
8. Ninguém conhece melhor o Apocalipse que o autor do Apocalipse, por isso é necessário levar em conta o que diz Prévost : “estou plenamente convencido: é preciso compreender o Apocalipse pelo mesmo Apocalipse: só uma leitura várias vezes repetida de todo o texto pode fazer descobrir a força e a coerência de sua mensagem”.
9. O autor do Apocalipse, João, nos dá uma chave de seu livro nos três primeiros versículos e nos certifica do que se trata: não de “uma revelação de João”, mas, ao contrário, e em sentido pleno: “REVELAÇÃO DE JESUS CRISTO”. Essa diferença de enfoque não é pequena e as consequências, incalculáveis. Quando o autor diz revelação está dizendo que nos re-ve-la, que não está ocultando (!!) nada, e isso ao longo de todo o livro e em todos e cada um de seus capítulos. O Apocalipse é uma brisa suave para “tempos fortes” – como diria Santa Teresa de Ávila - ou para tempos de tribulação (1,9) e perseguição (6,9-11) como prefere o autor deste livro apaixonante!
sábado, 23 de julho de 2011
“Espiritualidade em defesa da vida: Ecologia e Emancipação Humana”
XI CURSO DE VERÃO NA TERRA DO SOL
MANIFESTO DA ESPERANÇA NA RESISTÊNCIA
No período de 10 a 18 de julho de 2011, o Mutirão do Curso de Verão na Terra do Sol trabalhou, coletivamente, a temática “Espiritualidade em Defesa da Vida: Ecologia e Emancipação Humana”. Esta jornada de nove dias de reflexão bíblica-teológica e de educação política popular, onde vivenciamos fé e vida, contou com 122 participantes, reunindo cursistas, monitores, assessores e equipes de trabalho, provenientes de muitas localidades do Nordeste e de outras regiões do país: Ceará, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte, Piauí, Amazonas, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina.
Neste ano, tivemos, como fundamento e inspiração bíblica, o Apocalipse, livro profético de denúncia radical que funda e alimenta a resistência face à lógica dominante. Em nossa linguagem nordestina, é o livro da “teimosia da esperança do mandacarú” que proclama a Vitória, em um Cântico de Aleluia.
O Apocalipse encarna o confronto de duas lógicas: a lógica dominante do Império que, na sua beleza e sedução, esconde o Dragão e a Besta-Fera que querem submeter o povo, trazendo extermínio e morte; a lógica da emancipação que se revela na construção de uma nova sociedade de igualdade, de justiça e de liberdade, fundada na vitória do Cordeiro. Assim, o Apocalipse interpela a opção de cada um/ de cada uma: seguir a lógica da Besta, deixando-se iludir e seduzir pelo projeto da morte (os “abestados”); seguir a lógica do Cordeiro, abrindo-se para correr todos os riscos, inclusive o de perder a vida, no confronto com o Império, na convicção da vitória da vida plena (os “degolados”).
Inspirados nas luzes do Apocalipse, refletimos sobre este confronto fundamental da morte e da vida no mundo que vivemos, no interior da civilização do capital, em vigor nos últimos quatro/cinco séculos. Esta civilização, regida pela acumulação, encarna o Dragão do Apocalipse, a seduzir o povo, no tempo presente, através da mercantilização, do consumismo e do individualismo, gerando uma sociedade profundamente excludente. Em suas contradições e paradoxos, esta civilização dominante destrói a Vida no Planeta, nos
processos sem limites de expansão do capital, violentando a Natureza e os Homens e Mulheres. Assim, hoje, mergulhamos em uma crise estrutural deste padrão de civilização que revela a sua insustentabilidade. Na verdade, é uma crise ético-política que toca o cerne do sentido da vida humana.
Esta crise revela-se com clareza no campo da Ecologia, mostrando-se nos efeitos perversos de destruição que atingem o meio-ambiente e bilhões de seres humanos, difundindo a lógica do extermínio e da morte!.
No contexto da crise estrutural da civilização do capital, impõe-se, como desafio do nosso tempo histórico, a construção de uma outra forma de organizar a Vida no Planeta, apontando para a Emancipação Humana, no sentido de romper com esta lógica ilimitada e destrutiva do capital, a gerar incertezas, instabilidades e riscos globais. Esta lógica a ser confrontada e rompida, está concretamente materializada na visão de desenvolvimento que prioriza o crescimento econômico permanente a desconsiderar a natureza e as necessidades humanas. É preciso construir um modelo de civilização fundado na sustentabilidade da vida!
Neste nosso Mutirão do Curso de Verão, assumimos a Emancipação Humana como Horizonte e como Processo. Isso significa incorporar a Emancipação como sentido de Vida e de Luta, na construção de uma sociedade para além do capital e de todas as formas de opressão, priorizando o Bem-Viver de homens e mulheres e articulando Justiça Ecológica e Justiça Social. Exige construir de forma persistente, na vida de cada dia, a Emancipação através da ação coletiva de grupos, comunidades e movimento sociais, rejeitando as ilusões e seduções do sistema do capital e seus tentáculos que hoje quer tudo absorver. É concretamente a criação de uma rede de resistências na defesa da vida.
Na criação destes espaços de vida, focalizamos este ano as Lutas Ecológicas na perspectiva de uma Ecologia integral, dentro de uma visão holística que reúne homens, mulheres e natureza em uma totalidade, enfrentando experessões de extermínio que estão presentes nas diferentes localidades do Nordeste e nas distintas regiões deste país, bem configuradas na sondagem e nos depoimentos dos cursistas.
Impõe-se O QUE FAZER para enfrentar esta lógica de morte e afirmar a vida plena. Na reflexão coletiva coletiva dos cursistas foram apontados CAMINHOS:
• Conhecer a realidade que vivemos, buscando fontes de informação que “lancem luzes em campos de sombra”. Neste sentido, destaca-se a exigência de formação de Grupos de Estudo e realização de seminários;
• Profetizar e denunciar rompendo o silêncio imposto e fazendo ouvir nossa voz;
• Trabalhar para que nossas Igrejas em suas práticas pastorais, sejam coerentes na defesa, no cuidado à natureza e ao Bem-Viver de homens, mulheres e natureza;
• Articular lutas e experiências, criando teias em redes de combate à crise ecológica que trabalhem na mesma direção emancipatória;
• Investir em processos de educação de crianças e jovens na formação de uma consciência crítica das novas gerações;
• Participar na formulação, execução e controle das políticas públicas no apoio aos interesses das comunidades, atuando nos conselhos e em outros instrumentos participativos;
• Trabalhar de diferentes formas para a permanência dos homens e mulheres no campo, em condições dignas de vida e de trabalho;
• Fortalecer as lutas dos Movimentos Sociais para frear e impedir a destruição da Natureza, particularmente em relação à depredação das mineradoras e expansão do agronegócio;
• Usar amplamente os Meios de Comunicação Alternativos, como sites, blogs e rádios comunitárias para fortalecer as lutas emancipatórias;
• Resgatar valores, costumes e práticas das comunidades tradicionais que apontam para outro modo de organizar a vida.
Sigamos para o mundo com o coração aquecido pelo Sol do nosso Mutirão do CURSO DE VERÃO!!!
MANIFESTO DA ESPERANÇA NA RESISTÊNCIA
No período de 10 a 18 de julho de 2011, o Mutirão do Curso de Verão na Terra do Sol trabalhou, coletivamente, a temática “Espiritualidade em Defesa da Vida: Ecologia e Emancipação Humana”. Esta jornada de nove dias de reflexão bíblica-teológica e de educação política popular, onde vivenciamos fé e vida, contou com 122 participantes, reunindo cursistas, monitores, assessores e equipes de trabalho, provenientes de muitas localidades do Nordeste e de outras regiões do país: Ceará, Maranhão, Bahia, Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte, Piauí, Amazonas, Minas Gerais, São Paulo, Santa Catarina.
Neste ano, tivemos, como fundamento e inspiração bíblica, o Apocalipse, livro profético de denúncia radical que funda e alimenta a resistência face à lógica dominante. Em nossa linguagem nordestina, é o livro da “teimosia da esperança do mandacarú” que proclama a Vitória, em um Cântico de Aleluia.
O Apocalipse encarna o confronto de duas lógicas: a lógica dominante do Império que, na sua beleza e sedução, esconde o Dragão e a Besta-Fera que querem submeter o povo, trazendo extermínio e morte; a lógica da emancipação que se revela na construção de uma nova sociedade de igualdade, de justiça e de liberdade, fundada na vitória do Cordeiro. Assim, o Apocalipse interpela a opção de cada um/ de cada uma: seguir a lógica da Besta, deixando-se iludir e seduzir pelo projeto da morte (os “abestados”); seguir a lógica do Cordeiro, abrindo-se para correr todos os riscos, inclusive o de perder a vida, no confronto com o Império, na convicção da vitória da vida plena (os “degolados”).
Inspirados nas luzes do Apocalipse, refletimos sobre este confronto fundamental da morte e da vida no mundo que vivemos, no interior da civilização do capital, em vigor nos últimos quatro/cinco séculos. Esta civilização, regida pela acumulação, encarna o Dragão do Apocalipse, a seduzir o povo, no tempo presente, através da mercantilização, do consumismo e do individualismo, gerando uma sociedade profundamente excludente. Em suas contradições e paradoxos, esta civilização dominante destrói a Vida no Planeta, nos
processos sem limites de expansão do capital, violentando a Natureza e os Homens e Mulheres. Assim, hoje, mergulhamos em uma crise estrutural deste padrão de civilização que revela a sua insustentabilidade. Na verdade, é uma crise ético-política que toca o cerne do sentido da vida humana.
Esta crise revela-se com clareza no campo da Ecologia, mostrando-se nos efeitos perversos de destruição que atingem o meio-ambiente e bilhões de seres humanos, difundindo a lógica do extermínio e da morte!.
No contexto da crise estrutural da civilização do capital, impõe-se, como desafio do nosso tempo histórico, a construção de uma outra forma de organizar a Vida no Planeta, apontando para a Emancipação Humana, no sentido de romper com esta lógica ilimitada e destrutiva do capital, a gerar incertezas, instabilidades e riscos globais. Esta lógica a ser confrontada e rompida, está concretamente materializada na visão de desenvolvimento que prioriza o crescimento econômico permanente a desconsiderar a natureza e as necessidades humanas. É preciso construir um modelo de civilização fundado na sustentabilidade da vida!
Neste nosso Mutirão do Curso de Verão, assumimos a Emancipação Humana como Horizonte e como Processo. Isso significa incorporar a Emancipação como sentido de Vida e de Luta, na construção de uma sociedade para além do capital e de todas as formas de opressão, priorizando o Bem-Viver de homens e mulheres e articulando Justiça Ecológica e Justiça Social. Exige construir de forma persistente, na vida de cada dia, a Emancipação através da ação coletiva de grupos, comunidades e movimento sociais, rejeitando as ilusões e seduções do sistema do capital e seus tentáculos que hoje quer tudo absorver. É concretamente a criação de uma rede de resistências na defesa da vida.
Na criação destes espaços de vida, focalizamos este ano as Lutas Ecológicas na perspectiva de uma Ecologia integral, dentro de uma visão holística que reúne homens, mulheres e natureza em uma totalidade, enfrentando experessões de extermínio que estão presentes nas diferentes localidades do Nordeste e nas distintas regiões deste país, bem configuradas na sondagem e nos depoimentos dos cursistas.
Impõe-se O QUE FAZER para enfrentar esta lógica de morte e afirmar a vida plena. Na reflexão coletiva coletiva dos cursistas foram apontados CAMINHOS:
• Conhecer a realidade que vivemos, buscando fontes de informação que “lancem luzes em campos de sombra”. Neste sentido, destaca-se a exigência de formação de Grupos de Estudo e realização de seminários;
• Profetizar e denunciar rompendo o silêncio imposto e fazendo ouvir nossa voz;
• Trabalhar para que nossas Igrejas em suas práticas pastorais, sejam coerentes na defesa, no cuidado à natureza e ao Bem-Viver de homens, mulheres e natureza;
• Articular lutas e experiências, criando teias em redes de combate à crise ecológica que trabalhem na mesma direção emancipatória;
• Investir em processos de educação de crianças e jovens na formação de uma consciência crítica das novas gerações;
• Participar na formulação, execução e controle das políticas públicas no apoio aos interesses das comunidades, atuando nos conselhos e em outros instrumentos participativos;
• Trabalhar de diferentes formas para a permanência dos homens e mulheres no campo, em condições dignas de vida e de trabalho;
• Fortalecer as lutas dos Movimentos Sociais para frear e impedir a destruição da Natureza, particularmente em relação à depredação das mineradoras e expansão do agronegócio;
• Usar amplamente os Meios de Comunicação Alternativos, como sites, blogs e rádios comunitárias para fortalecer as lutas emancipatórias;
• Resgatar valores, costumes e práticas das comunidades tradicionais que apontam para outro modo de organizar a vida.
Sigamos para o mundo com o coração aquecido pelo Sol do nosso Mutirão do CURSO DE VERÃO!!!
segunda-feira, 11 de julho de 2011
BÍBLIA: TODO UM MAR PARA SURFAR
É bom escutar como as pessoas leem a Bíblia. Descobre-se tanta coisa bonita! Por isso a partir daqui convido você que está lendo estas páginas a partilhar a sua leitura e vivência da Palavra de Deus. Diga onde você encontra água para a sua sede, e o seu modo de atingi-la.
Pode pensar que são pequenas coisas e que a ninguém interessa. Tente escrever dez ou quinze linhas e envie. Verá que maravilha está acontecendo no meio de nós. Jesus disse que era para proclamar a Boa Notícia sobre os telhados.
Vamos fazer, então, um grande mutirão para nos ajudarmos a crescer no serviço aos pobres, na comunidade, na missão, na luta pela vida, pela justiça e pela paz.
SURFISTA DO EVANGELHO
Neste ano, o Evangelho de Mateus vai ser a minha praia. Por falar em praia, eu gosto é da praia de Piatã. Isso é praia! Já viu segunda-feira? Piatã é uma delícia. Vai encontrar pouco pessoal, caminhando, jogando bola, sentado, deitado, criança brincando de gente grande, homem e mulher feito criança, construindo castelos na areia.
Eu gosto é de praia, como gosto dos Evangelhos. Essa é uma de minhas praias favoritas. O Evangelho de Lucas: que coisa linda! E o de Marcos, nem me fale. Mas eu decidi que a minha onda vai ser Mateus. Existem mil motivos para frequentar essa praia. Alguns consideram esse evangelho como o mais eclesial: fala do jeito de ser comunidade, de viver, de celebrar, de ser seguidores e seguidoras de Jesus, de oferecer o perdão se for o caso.
Traz também ar de pão cozido, de trabalhadores cansados de esperar na praça, de mulheres fadigadas, de multidões de pobres, de tentações, de sonhos, de tanta coisa. Há muita sabedoria e mensagem nesse baú.
– Eu já ouvi falar nisso. Que tem muito discurso. Que esse evangelho quer mesmo é ensinar.
– É uma boa notícia para os pobres e pequenos. Eu acho esse Evangelho lindo, lindo, lindo. Lindo mesmo!
– E de Jesus de Nazaré também fala um bocado!
Claro, nesse tecido tem fios e fios de muitas cores e tamanhos. E Jesus Cristo é um fio de rio de grande correnteza no Evangelho de Mateus. Jesus e a comunidade. Tudo isso está lá e muito mais. Tem tanto segredo nessa mata, aliás, nessa praia!
Você acha que conhece, porque passou por lá várias vezes, e coisíssima nenhuma. As pegadas que você deixou, o dia seguinte não encontra mais. Caminha e caminha e a praia é sempre nova. O céu, diferente. O mar, mais alegre e revitalizador. Faz sonhar acordado!
Praia coisa linda que só! Praia, dom de Deus! Evangelho de Mateus, presente de Deus. Memória de Jesus e das comunidades. Memória da missão dos pobres!
– Ué! Os pobres têm missão?
– Só faltava essa! Que os pobres já não tivessem nem missão. Não têm casa, nem pão, nem terra, nem salário. Tiraram deles a cultura, quase que a vida arrancaram e, agora, querem tirar também a missão? Mas não vão poder tirar o que Deus lhes confiou: a eles pertence!
SURFISTA? SIM
Venha a curtir uma praia comigo. Não me entenda mal. Não é que eu seja doente por praia. Nasci no interior, num povoado de quarenta famílias. Mas meus olhos se acostumaram a estas praias e decidi ser surfista.
– Mas você, logo você que mal sabe nadar.
– Pois é, mal sei nadar, mas por isso é que não sou do mar. O mar me respeita, e eu tenho respeito por ele. Respeito e medo. Mas gosto é de surfar. Minha prancha é de boa qualidade e com o passar do tempo a confiança aumenta. Tenho maior intimidade. Somos mais amigos. Dentro do possível, porque o mar, como a vida e o evangelho, tem muito segredo!
– E o Evangelho de Mateus também. Dá pra surfar o ano todo: uma delícia de mar! Quanto você mais avança maior é a alegria de nadar, de surfar, de brincar com ondas. Você e a prancha e a onda viram uma coisa só, junto com o vento e o sol. Um milagre em movimento!
Quando você quer reter a onda, ai não dá. A onda chega na praia e já era! Bateu no chão! Tem que se deixar levar pelas ondas, e driblar, e brincar na gratuidade do vento que vem e para quando quer.
Algo assim é o Evangelho de Mateus. É coisa linda para as crianças: podem brincar na praia e sentir a presença do Amigo que fala com tanta paixão das crianças que até os adultos querem virar crianças para entrar no Reino de Deus. E aí o sonho de Jesus se realiza. E Jesus grita de alegria vendo tanta coisa boa: "Eu te louvo, Painho, porque tem tanta criança na praia, curtindo a partilha, a solidariedade, e essa presença do Abbá (painho/mainha), que brinca com eles o dia todo (Mt 11,25).
E tem surfista que joga e descobre o risco e o rosto de Cristo. E se adentra descobrindo outras praias e outros mares e percebe a missão das comunidades. E fica a mercê do Vento, por caminhos novos. Sempre em movimento, guiado pelo Vento! Sob a proteção da mão de Deus que segura a prancha e você, quando o cansaço chega.
Entrar, entrar no mar como o surfista. Quantas vezes? Só o mar e Deus é que sabem! Entrar e voltar... Começar e recomeçar.
– Mas, por onde?
– Geralmente, pelo começo, mas você vai se deliciar se começar pelo fim. Faça a prova. Leia o capítulo 28 de Mateus, inteirinho e devagarinho... com tudo aquilo que já sabe de Jesus. Você já sabe muita coisa de Jesus. De hoje que está na comunidade!
Acolha a novidade. As surpresas vão chegar e Deus vai lhe inspirar o resto para continuar surfando. Outra onda vai devolvê-lo à praia. E manda começar tudo na Galileia, por onde Jesus começou. (Pode ler do capítulo 3 em diante). A terceira vez, vai fazer a caminhada pelo evangelho todo: desde o começo, seguindo Jesus, junto com os discípulos e discípulas, ouvindo o Sermão do Monte, a mensagem das Bem-aventuranças, a opção radical pelo Reino (Mt 6,33), sentindo o chamado e o estilo de Jesus como uma provocação que invita a ir para a frente, apesar das pedras no caminho, sendo comunidades que acolhem os pequenos e os últimos e se perguntando mil coisas (Mt 18).
Algumas perguntas são tão parecidas com as nossas: "Quem é o maior no Reino de Deus? Quantas vezes devo perdoar?" Mas outras são tão diferentes, tão originais. Só podem ser nossas.
Veja, no entanto, qual é a resposta e a proposta sempre nova de Jesus. Uma coisa é saber, outra é viver e praticar. E oferecer o perdão de coração. O perdão e o amor renovam o coração e a comunidade. Trazem a vida nova de Deus, uma Boa Notícia, Evangelho para nós!
Continue surfando! Vai encontrar muita novidade vivendo a palavra do Evangelho no horizonte dos mares todos, dos oceanos todos debaixo do céu. Ele, o Senhor da missão, envia evangelizadores e acompanha o trabalho: "Ele, Emanuel, – Deus conosco" (Mt 1,23) – está surfando ao nosso lado na praia do dia-a-dia, sem cansar, presente onde dois ou três estão reunidos em seu Nome (Mt 18,20) e acompanha cada dia na missão até o fim dos tempos! (Mt 28,20).
No horizonte onde o mar se junta com o céu, lá é uma delícia, é o Reino de Deus acontecendo. Venha curtir essa praia e fazer discípulos e discípulas de todas as nações. Venha realizar sua missão e se alegrar nesse ano de graça do Senhor. Venha surfar!
Pode pensar que são pequenas coisas e que a ninguém interessa. Tente escrever dez ou quinze linhas e envie. Verá que maravilha está acontecendo no meio de nós. Jesus disse que era para proclamar a Boa Notícia sobre os telhados.
Vamos fazer, então, um grande mutirão para nos ajudarmos a crescer no serviço aos pobres, na comunidade, na missão, na luta pela vida, pela justiça e pela paz.
SURFISTA DO EVANGELHO
Neste ano, o Evangelho de Mateus vai ser a minha praia. Por falar em praia, eu gosto é da praia de Piatã. Isso é praia! Já viu segunda-feira? Piatã é uma delícia. Vai encontrar pouco pessoal, caminhando, jogando bola, sentado, deitado, criança brincando de gente grande, homem e mulher feito criança, construindo castelos na areia.
Eu gosto é de praia, como gosto dos Evangelhos. Essa é uma de minhas praias favoritas. O Evangelho de Lucas: que coisa linda! E o de Marcos, nem me fale. Mas eu decidi que a minha onda vai ser Mateus. Existem mil motivos para frequentar essa praia. Alguns consideram esse evangelho como o mais eclesial: fala do jeito de ser comunidade, de viver, de celebrar, de ser seguidores e seguidoras de Jesus, de oferecer o perdão se for o caso.
Traz também ar de pão cozido, de trabalhadores cansados de esperar na praça, de mulheres fadigadas, de multidões de pobres, de tentações, de sonhos, de tanta coisa. Há muita sabedoria e mensagem nesse baú.
– Eu já ouvi falar nisso. Que tem muito discurso. Que esse evangelho quer mesmo é ensinar.
– É uma boa notícia para os pobres e pequenos. Eu acho esse Evangelho lindo, lindo, lindo. Lindo mesmo!
– E de Jesus de Nazaré também fala um bocado!
Claro, nesse tecido tem fios e fios de muitas cores e tamanhos. E Jesus Cristo é um fio de rio de grande correnteza no Evangelho de Mateus. Jesus e a comunidade. Tudo isso está lá e muito mais. Tem tanto segredo nessa mata, aliás, nessa praia!
Você acha que conhece, porque passou por lá várias vezes, e coisíssima nenhuma. As pegadas que você deixou, o dia seguinte não encontra mais. Caminha e caminha e a praia é sempre nova. O céu, diferente. O mar, mais alegre e revitalizador. Faz sonhar acordado!
Praia coisa linda que só! Praia, dom de Deus! Evangelho de Mateus, presente de Deus. Memória de Jesus e das comunidades. Memória da missão dos pobres!
– Ué! Os pobres têm missão?
– Só faltava essa! Que os pobres já não tivessem nem missão. Não têm casa, nem pão, nem terra, nem salário. Tiraram deles a cultura, quase que a vida arrancaram e, agora, querem tirar também a missão? Mas não vão poder tirar o que Deus lhes confiou: a eles pertence!
SURFISTA? SIM
Venha a curtir uma praia comigo. Não me entenda mal. Não é que eu seja doente por praia. Nasci no interior, num povoado de quarenta famílias. Mas meus olhos se acostumaram a estas praias e decidi ser surfista.
– Mas você, logo você que mal sabe nadar.
– Pois é, mal sei nadar, mas por isso é que não sou do mar. O mar me respeita, e eu tenho respeito por ele. Respeito e medo. Mas gosto é de surfar. Minha prancha é de boa qualidade e com o passar do tempo a confiança aumenta. Tenho maior intimidade. Somos mais amigos. Dentro do possível, porque o mar, como a vida e o evangelho, tem muito segredo!
– E o Evangelho de Mateus também. Dá pra surfar o ano todo: uma delícia de mar! Quanto você mais avança maior é a alegria de nadar, de surfar, de brincar com ondas. Você e a prancha e a onda viram uma coisa só, junto com o vento e o sol. Um milagre em movimento!
Quando você quer reter a onda, ai não dá. A onda chega na praia e já era! Bateu no chão! Tem que se deixar levar pelas ondas, e driblar, e brincar na gratuidade do vento que vem e para quando quer.
Algo assim é o Evangelho de Mateus. É coisa linda para as crianças: podem brincar na praia e sentir a presença do Amigo que fala com tanta paixão das crianças que até os adultos querem virar crianças para entrar no Reino de Deus. E aí o sonho de Jesus se realiza. E Jesus grita de alegria vendo tanta coisa boa: "Eu te louvo, Painho, porque tem tanta criança na praia, curtindo a partilha, a solidariedade, e essa presença do Abbá (painho/mainha), que brinca com eles o dia todo (Mt 11,25).
E tem surfista que joga e descobre o risco e o rosto de Cristo. E se adentra descobrindo outras praias e outros mares e percebe a missão das comunidades. E fica a mercê do Vento, por caminhos novos. Sempre em movimento, guiado pelo Vento! Sob a proteção da mão de Deus que segura a prancha e você, quando o cansaço chega.
Entrar, entrar no mar como o surfista. Quantas vezes? Só o mar e Deus é que sabem! Entrar e voltar... Começar e recomeçar.
– Mas, por onde?
– Geralmente, pelo começo, mas você vai se deliciar se começar pelo fim. Faça a prova. Leia o capítulo 28 de Mateus, inteirinho e devagarinho... com tudo aquilo que já sabe de Jesus. Você já sabe muita coisa de Jesus. De hoje que está na comunidade!
Acolha a novidade. As surpresas vão chegar e Deus vai lhe inspirar o resto para continuar surfando. Outra onda vai devolvê-lo à praia. E manda começar tudo na Galileia, por onde Jesus começou. (Pode ler do capítulo 3 em diante). A terceira vez, vai fazer a caminhada pelo evangelho todo: desde o começo, seguindo Jesus, junto com os discípulos e discípulas, ouvindo o Sermão do Monte, a mensagem das Bem-aventuranças, a opção radical pelo Reino (Mt 6,33), sentindo o chamado e o estilo de Jesus como uma provocação que invita a ir para a frente, apesar das pedras no caminho, sendo comunidades que acolhem os pequenos e os últimos e se perguntando mil coisas (Mt 18).
Algumas perguntas são tão parecidas com as nossas: "Quem é o maior no Reino de Deus? Quantas vezes devo perdoar?" Mas outras são tão diferentes, tão originais. Só podem ser nossas.
Veja, no entanto, qual é a resposta e a proposta sempre nova de Jesus. Uma coisa é saber, outra é viver e praticar. E oferecer o perdão de coração. O perdão e o amor renovam o coração e a comunidade. Trazem a vida nova de Deus, uma Boa Notícia, Evangelho para nós!
Continue surfando! Vai encontrar muita novidade vivendo a palavra do Evangelho no horizonte dos mares todos, dos oceanos todos debaixo do céu. Ele, o Senhor da missão, envia evangelizadores e acompanha o trabalho: "Ele, Emanuel, – Deus conosco" (Mt 1,23) – está surfando ao nosso lado na praia do dia-a-dia, sem cansar, presente onde dois ou três estão reunidos em seu Nome (Mt 18,20) e acompanha cada dia na missão até o fim dos tempos! (Mt 28,20).
No horizonte onde o mar se junta com o céu, lá é uma delícia, é o Reino de Deus acontecendo. Venha curtir essa praia e fazer discípulos e discípulas de todas as nações. Venha realizar sua missão e se alegrar nesse ano de graça do Senhor. Venha surfar!
terça-feira, 7 de junho de 2011
DAI - NOS, SENHOR, UM CORAÇÃO NOVO
Dai - nos, Senhor, um coração novo, derrama sobre nós um Espírito novo.
Ao começo do nosso Encontro com a Palavra: Dai - nos, Senhor, um coração novo, um coração de carne, sensível à dor e ao sofrimento dos pobres, aberto aos gozos e alegrias de nosso mundo, solidário com todos os povos da terra.
Dai - nos, Senhor, um olhar novo, atento aos acontecimentos da vida onde Tu te revelas cada dia aos pequenos e aos simples.
Dai-nos, teu Espírito, Senhor, para compreendermos a tua Palavra, guarda-la no coração como Maria e leva-la à prática para que ilumine os homens e mulheres de nosso tempo na noite dos conflitos e das guerras e a todos lhes chegue a tua Paz.
Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão que contigo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
Ao começo do nosso Encontro com a Palavra: Dai - nos, Senhor, um coração novo, um coração de carne, sensível à dor e ao sofrimento dos pobres, aberto aos gozos e alegrias de nosso mundo, solidário com todos os povos da terra.
Dai - nos, Senhor, um olhar novo, atento aos acontecimentos da vida onde Tu te revelas cada dia aos pequenos e aos simples.
Dai-nos, teu Espírito, Senhor, para compreendermos a tua Palavra, guarda-la no coração como Maria e leva-la à prática para que ilumine os homens e mulheres de nosso tempo na noite dos conflitos e das guerras e a todos lhes chegue a tua Paz.
Por Jesus Cristo, teu Filho e nosso Irmão que contigo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
FERMENTO NO BOLO! BÍBLIA NA VIDA!
Continuamos cavando e aprofundando a Bíblia: o nosso livro de cabeceira! Quatro imagens vão nos servir de guias para entender melhor a Palavra de Deus. Bíblia: Álbum de família, cidade, "raios-X" e fermento no bolo.
1. BÍBLIA: ÁLBUM DE FAMÍLIA, ÁLBUM DO POVO.
A Bíblia parece um álbum de fotografias guardado em caixas, sem data, sem ordem, sem assinatura..., uma desordem organizada!
Uma coisa interessante! Até as crianças se divertem folheando esse álbum. Aquela "desordem organizada", aparentemente como uma colcha de retalhos, nos revela um rosto amigo (Dt 34,10), o rosto de Deus que caminha conosco.
E assim, olhando tudo isso, muitas gerações de crianças e jovens, de famílias e comunidades aprendem e se alegram ao descobrirem: quem são e de onde vieram e, coisa ainda mais linda, para onde vão? Para isso o álbum de fotografias é muito importante. Todos sabem reconhecer acontecimentos familiares, onde a gente tomou parte ou ainda participa.
Na leitura da Bíblia descobrimos a nossa identidade, as nossas raízes culturas-sociais-religiosas e a nossa missão, como povo e como pessoas. E em tudo isso, nos sentimos da mesma família de Abraão e Sara, de Moisés e Mirian, dos profetas e profetisas... Somos um povo a caminho, com uma missão a cumprir e podemos cantar com força: "Moisés hoje é a gente quando enfrenta a opressão".
Por tudo isso, a Bíblia é muito importante. Apresenta para nós, no meio de situações difíceis e conflitivas, mil fotografias do Deus discreto e fiel, misericordioso e libertador, Javé (Ex 34,6-7).
2. A CIDADE DA BÍBLIA
Como caminhar pela cidade da Bíblia sem nos perder? Conhecermos essa cidade vale a pena! Podemos conhecer como turista de passagem ou como morador que trabalha e se preocupa pela sua cidade e fica bem a vontade.
Quando visitamos uma cidade pela primeira vez ter um mapa ou um guia ajuda bastante. É mais fácil saber onde fica o Centro Histórico, o Pelô, o Mercado Modelo, onde se podem pegar os ônibus, como chegar e voltar. Nesse passeio podemos ver casas antigas que ficam ao lado de prédios modernos e ninguém confunde as duas coisas. Também na Bíblia encontramos textos bem antigos em arcabouços novos. Não podemos confundi-los!
Conhecer a história dessa cidade. Os monumentos históricos nos falam muito mais quando conhecemos as pessoas que participaram dessa história. Quando sabemos que pessoas foram fundadores (as), por que surgiu, os momentos marcantes da vida do povo, sua organização, suas lutas e resistências, seu projeto de vida e cidadania.
Descobrir nessa Cidade o Rosto do Deus da Vida. Não é fácil perceber Deus atuando na vida da gente. Como Deus estaria no meio de nós, nesses ônibus superlotados? Ou naquele corre-corre do dia-a-dia? Será que Deus está nas nossas cidades? Custa crer! Ao mesmo tempo, na cidade, tudo tem um sabor diferente quando encontramos algum rosto familiar.
Algo assim passa com a Bíblia. Podemos senti-la como coisa do passado, como pouco prática para uma "cidade" moderna e pensar que não se encontraria a vontade. Mas a Bíblia, mesmo tendo muito anos de história, é diferente. É como o vinho bom. Mais tempo passa, melhor é! Quem entende que o diga!
Talvez tenhamos que aguçar o nosso olhar para ver onde e como Deus está presente hoje. Para esse novo olhar a Bíblia nos oferece muitas dicas, aliás, "é colírio para os olhos", como comentava Mário de Colina Azul, ao terminar um curso sobre Apocalipse.
3. A BÍBLIA: "RAIOS-X". A BÍBLIA NOS LÊ!
Nós lemos a Bíblia e, ao mesmo tempo, a Bíblia nos lê! A Bíblia não somente nos oferece "fotografias" da nossa realidade, mas também nos dá uma "radiografia" do nosso mundo. Ela é critério de discernimento: mostra-nos o rumo a seguir, o jeito de viver e esperar. Ela denuncia os medos e as injustiças e anuncia boas notícias para os pobres e pequenos. Numa palavra, Ela é uma lamparina na caminhada!
A Bíblia, porém, deve estar ligada à Vida. Sozinha, isolada da vida e dos problemas não dá. A rede precisa de dois pregos para se sustentar: o prego da Vida e o prego da Bíblia. E a comunidade balançando no meio dessa dupla tensão: Vida-Bíblia.
4. FERMENTO NO BOLO! BÍBLIA NA VIDA!
Na travessia tudo se clareia; descobrimos o sentido da Bíblia. A presença discreta e terna de Deus ilumina o túnel dos conflitos, traz alegria e esperança. É uma lamparina na noite. É sal na feijoada.
Na vida há de tudo: pessoas com pressão alta de Bíblia e pressão baixa de Vida. Outras com pressão baixa de Bíblia e pressão alta de Vida. Cada pessoa deve ver qual é a dose exata! A Bíblia, porém, é e deve ser fermento no bolo da Vida.
Quero contar uma história que aconteceu em Pau da Lima, com um amigo da gente.
Era um sábado pela tarde. O curso de Bíblia estava para começar. Pe. João estava preparando um bolo de cenoura. Arrumou tudo direitinho. Leu a receita, misturou os ingredientes e colocou a fôrma no forno.
F
iquei sonhando a tarde toda com aquele bolo! Acabei o curso bíblico e fui visitar João. O bolo devia estar no ponto! Descendo a encosta chegava um cheirinho gostoso de fazer água na boca. E ai saiu aquele bolo! Cheirinho bom, danado de bom! Os olhos não aguentavam mais. "Favor, traga uma faca!" E ai uma surpresa: o bolo estava..., duro que só! Não dava nem para cortar!
"Aconteceu o quê, João?", perguntei. "Não sei, não!", disse João. "Coloquei todos os ingredientes como estava na receita. Mas parece que não deu certo". "E você colocou também fermento?", quis saber. "Fermento? Bom, fermento, na verdade... não. O fermento acabou!" concluiu ele.
As crianças chegaram como outras vezes..., e o bolo ficou e ficou por dias a fio. E ficou, também na memória, como testemunho eterno: bolo sem fermento vira cimento!
No duro da Vida, a Bíblia traz luz, força e energia. Experimente um minuto todo dia!
1. BÍBLIA: ÁLBUM DE FAMÍLIA, ÁLBUM DO POVO.
A Bíblia parece um álbum de fotografias guardado em caixas, sem data, sem ordem, sem assinatura..., uma desordem organizada!
Uma coisa interessante! Até as crianças se divertem folheando esse álbum. Aquela "desordem organizada", aparentemente como uma colcha de retalhos, nos revela um rosto amigo (Dt 34,10), o rosto de Deus que caminha conosco.
E assim, olhando tudo isso, muitas gerações de crianças e jovens, de famílias e comunidades aprendem e se alegram ao descobrirem: quem são e de onde vieram e, coisa ainda mais linda, para onde vão? Para isso o álbum de fotografias é muito importante. Todos sabem reconhecer acontecimentos familiares, onde a gente tomou parte ou ainda participa.
Na leitura da Bíblia descobrimos a nossa identidade, as nossas raízes culturas-sociais-religiosas e a nossa missão, como povo e como pessoas. E em tudo isso, nos sentimos da mesma família de Abraão e Sara, de Moisés e Mirian, dos profetas e profetisas... Somos um povo a caminho, com uma missão a cumprir e podemos cantar com força: "Moisés hoje é a gente quando enfrenta a opressão".
Por tudo isso, a Bíblia é muito importante. Apresenta para nós, no meio de situações difíceis e conflitivas, mil fotografias do Deus discreto e fiel, misericordioso e libertador, Javé (Ex 34,6-7).
2. A CIDADE DA BÍBLIA
Como caminhar pela cidade da Bíblia sem nos perder? Conhecermos essa cidade vale a pena! Podemos conhecer como turista de passagem ou como morador que trabalha e se preocupa pela sua cidade e fica bem a vontade.
Quando visitamos uma cidade pela primeira vez ter um mapa ou um guia ajuda bastante. É mais fácil saber onde fica o Centro Histórico, o Pelô, o Mercado Modelo, onde se podem pegar os ônibus, como chegar e voltar. Nesse passeio podemos ver casas antigas que ficam ao lado de prédios modernos e ninguém confunde as duas coisas. Também na Bíblia encontramos textos bem antigos em arcabouços novos. Não podemos confundi-los!
Conhecer a história dessa cidade. Os monumentos históricos nos falam muito mais quando conhecemos as pessoas que participaram dessa história. Quando sabemos que pessoas foram fundadores (as), por que surgiu, os momentos marcantes da vida do povo, sua organização, suas lutas e resistências, seu projeto de vida e cidadania.
Descobrir nessa Cidade o Rosto do Deus da Vida. Não é fácil perceber Deus atuando na vida da gente. Como Deus estaria no meio de nós, nesses ônibus superlotados? Ou naquele corre-corre do dia-a-dia? Será que Deus está nas nossas cidades? Custa crer! Ao mesmo tempo, na cidade, tudo tem um sabor diferente quando encontramos algum rosto familiar.
Algo assim passa com a Bíblia. Podemos senti-la como coisa do passado, como pouco prática para uma "cidade" moderna e pensar que não se encontraria a vontade. Mas a Bíblia, mesmo tendo muito anos de história, é diferente. É como o vinho bom. Mais tempo passa, melhor é! Quem entende que o diga!
Talvez tenhamos que aguçar o nosso olhar para ver onde e como Deus está presente hoje. Para esse novo olhar a Bíblia nos oferece muitas dicas, aliás, "é colírio para os olhos", como comentava Mário de Colina Azul, ao terminar um curso sobre Apocalipse.
3. A BÍBLIA: "RAIOS-X". A BÍBLIA NOS LÊ!
Nós lemos a Bíblia e, ao mesmo tempo, a Bíblia nos lê! A Bíblia não somente nos oferece "fotografias" da nossa realidade, mas também nos dá uma "radiografia" do nosso mundo. Ela é critério de discernimento: mostra-nos o rumo a seguir, o jeito de viver e esperar. Ela denuncia os medos e as injustiças e anuncia boas notícias para os pobres e pequenos. Numa palavra, Ela é uma lamparina na caminhada!
A Bíblia, porém, deve estar ligada à Vida. Sozinha, isolada da vida e dos problemas não dá. A rede precisa de dois pregos para se sustentar: o prego da Vida e o prego da Bíblia. E a comunidade balançando no meio dessa dupla tensão: Vida-Bíblia.
4. FERMENTO NO BOLO! BÍBLIA NA VIDA!
Na travessia tudo se clareia; descobrimos o sentido da Bíblia. A presença discreta e terna de Deus ilumina o túnel dos conflitos, traz alegria e esperança. É uma lamparina na noite. É sal na feijoada.
Na vida há de tudo: pessoas com pressão alta de Bíblia e pressão baixa de Vida. Outras com pressão baixa de Bíblia e pressão alta de Vida. Cada pessoa deve ver qual é a dose exata! A Bíblia, porém, é e deve ser fermento no bolo da Vida.
Quero contar uma história que aconteceu em Pau da Lima, com um amigo da gente.
Era um sábado pela tarde. O curso de Bíblia estava para começar. Pe. João estava preparando um bolo de cenoura. Arrumou tudo direitinho. Leu a receita, misturou os ingredientes e colocou a fôrma no forno.
F
iquei sonhando a tarde toda com aquele bolo! Acabei o curso bíblico e fui visitar João. O bolo devia estar no ponto! Descendo a encosta chegava um cheirinho gostoso de fazer água na boca. E ai saiu aquele bolo! Cheirinho bom, danado de bom! Os olhos não aguentavam mais. "Favor, traga uma faca!" E ai uma surpresa: o bolo estava..., duro que só! Não dava nem para cortar!
"Aconteceu o quê, João?", perguntei. "Não sei, não!", disse João. "Coloquei todos os ingredientes como estava na receita. Mas parece que não deu certo". "E você colocou também fermento?", quis saber. "Fermento? Bom, fermento, na verdade... não. O fermento acabou!" concluiu ele.
As crianças chegaram como outras vezes..., e o bolo ficou e ficou por dias a fio. E ficou, também na memória, como testemunho eterno: bolo sem fermento vira cimento!
No duro da Vida, a Bíblia traz luz, força e energia. Experimente um minuto todo dia!
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